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  O homem é um animal... Vestido?!

Por Napoleão Schoeller de Azevedo Jr*

A roupa não é uma moda. O desenho dela sim. Este é um ponto que, às vezes, se faz confusão, onde as conclusões podem ser absurdos do tipo “As roupas são um luxo desnecessário”. Quem afirma coisas do gênero deve experimentar viver pelado um mês no meio das gélidas florestas canadenses, por exemplo. Se não quiser ir tão longe, o inverno de Gramado já está bom.

É a própria condição climática da terra que impõe a necessidade das vestimentas, combinada com o estado natural humano, incapaz de resistir ao frio intenso. Por isso, podemos juntar à máxima de Aristóteles “O homem é um animal social” uma outra: O homem é um animal vestido, pelo menos no frio.

Brincadeiras à parte, a roupa é um instrumento importante para o desenvolvimento humano, na medida em que representa uma independência nossa perante a natureza: Não somos obrigados pelo clima a “voltarmos para a toca” ao menor sinal de frio. Mais do que isso, podemos trabalhar e produzir, mesmo no inverno rigoroso, desde que devidamente vestidos.

Acredito que as primeiras roupas devem ter sido peles de animais mortos em caçadas. Pensemos, então, nas diferenças entre esta antiga roupa de pele com o casaco de pele de alguma madame. Uma das primeiras e mais evidentes diferenças é estética: A roupa da madame é muito mais “trabalhada” do que a do “homem ancestral”. Supondo que ambas protejam igualmente do frio, podemos nos ater nesse aspecto estético.

Se compararmos o modo como se vivia antigamente com os dias atuais, veremos como a sociedade ficou muito mais complexa, em diversos aspectos. Um desses aspectos diz respeito à “diversidade social” dos indivíduos na nossa sociedade. A roupa passou a ser um indicador de identidade, ligando certo indivíduo a certo grupo social. Em um mundo onde “as aparências importam” (e muito), as vestimentas já não servem apenas para evitar o frio.

Voltando a brincadeira com Aristóteles, este dizia que se o homem é um animal social, e se a forma de sociedade mais perfeita é a polis, então o homem é, por natureza, um animal político. No caso das roupas, se os homens precisam se vestir para tornar mais complexas as suas relações e se essa complexidade pede por um aspecto estético das roupas, então podemos concluir que a vida em uma “sociedade complexa”, no sentido referido acima, implica que o homem, mais do que um animal vestido, seja um animal vestido de determinada forma.

Porém, há quem negue a conclusão de Aristóteles, dizendo que o homem não é um animal político. Assim, também há quem negue a necessidade do “império das aparências”. E você, o que pensa disso?

 

*Napoleão Schoeller de Azevedo Jr. é mestrando e graduado em Filosofia pela UFRGS.

Fotos: Reprodução


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