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  Tarde fashion na Usina do Gasômetro - Moda, Cinema, Fotografia e Comportamento na Sala P. F. Gastal

Por Ana Carolina Acom*

Até o dia 28/05 a sala de cinema P.F. Gastal, na Usina do Gasômetro, estará promovendo o ciclo de filmes “Moda em Foco”. Durante duas semanas, a mostra de filmes volta o olhar para produções artísticas relacionadas ao universo da moda. A questão da moda e do consumo é de extrema relevância quando o assunto é cultura e comportamento, portanto, não deve ser ignorada. Considerando isso, foi proposta a exibição de filmes que se destacaram documentando, através dos trajes e comportamentos, as transformações culturais pelas quais passou a modernidade.

Entre os filmes, estão presentes clássicos que contam com o trabalho de importantes estilistas, os quais tornaram estas películas parte da própria história da moda, como por exemplo: “Bonequinha de Luxo (1961)”, que consagrou o estilo tubinho preto de Givenchy, eternizado pela atriz Audrey Hepburn; o drama de suspense “Pavor nos Bastidores (1950)”, de Alfred Hitchcock, com Marlene Dietrich trajando figurinos de Christian Dior. Além do documentário de Win Wenders, “Anotações para roupas e cidades (1989)”, sobre o estilista japonês Yohji Yamamoto, considerado precursor do Minimalismo na moda. No ciclo “Moda em Foco”, também participam filmes que mostram a influência de movimentos juvenis na moda, incorporando a esta novos estilos no vestir. È o caso de: “O Selvagem (1953)”, com Marlon Brando, e “Gummo (1997)”, de Harmony Korine (o mesmo de “Kids”), com figurinos da atriz Chloë Sevigny, que também trabalha no filme.

O grande destaque da programação ocorreu no dia 20/05. Após a exibição do filme “Quem é você, Polly Magôo? (1966)”, houve um debate reunindo o jornalista Alcino Leite Neto, editor de moda do Jornal Folha de São Paulo, e o crítico de arte e professor da PUC-SP, Fábio Cypriano. Em seguida, houve um desfile que deu seqüência à tarde de moda, onde três jovens estilistas gaúchos exibiram suas criações: Rosa Maria, Débora Ydalgo e Rafael Vivian. O fechamento do dia foi com o lançamento da projeção de imagens da fotógrafa Cláudia Guimarães.

“Qui êtes-vous Polly Magoo?” é um filme francês dos anos 60 de Willian Klein, fotógrafo contratado pela Vogue na época. Neste filme, ele alfineta o mundo da moda e a mídia exibicionista da época, com uma sátira aos delírios fetichistas e arrogantes destes meios. Polly Magoo (Dorothy Mac Gowan) é uma modelo glorificada pela sociedade do espetáculo, na qual a mídia era a vitrine. Enquanto uma equipe de televisão faz uma reportagem sobre ela, um príncipe tomba de amores por sua imagem em uma revista.

Segundo o jornalista Alcino Leite Neto, este filme passou batido na época, em um ambiente cercado por Truffaut, Godard, Hitchcock entre outros, onde era difícil ter grande destaque. A trajetória da modelo Polly Magoo e sua idealização pela mídia é retratada de maneira quase onírica. A própria montagem do filme e sua narração apresentam influências diretas do cineasta Fellini, com quem Klein chega a trabalhar mais tarde.

Rafael VivianOs estilistas Courrèges e Paco Rabanne são claramente satirizados no filme quando aparece um desfile de “trajes futuristas” em metal prateado, que inclusive feria as modelos. Tudo pela vanguarda na moda! Ambos estilistas revolucionaram a Alta Costura na década de 60, usando matérias primas inusitadas em suas criações, como plásticos e metais. Futurismo foi tema de diversas coleções sessentistas, época em que a Corrida Espacial permeou a cultura, trazendo para moda estampas e inserções geométricas. É curioso o modo como os anos 60 abordavam o futuro. Além da moda isso aparece na arte, na decoração e em seriados como “Perdidos no Espaço”, “Os Jetsons” e vários outros. Até minha mãe fez uma fantasia de carnaval premiada, toda de plástico e com luzes piscantes, intitulada “Garota 2001”. O filme “Quem é você, Polly Magoo?”, que faz uma paródia ao mundo da moda, também caricaturiza a figura da editora de moda: sempre exigente, perfeccionista e louca. Isto já tinha sido observado no filme “Cinderela em Paris (1956)”, com uma personagem do mesmo tipo. Hoje em dia, esta figura está ainda mais em voga, graças à fama da atual editora da Vogue, Anna Wintour. Não é a toa que Klein foi afastado da Vogue por sua editora (Diana Vreeland) após este filme.

Débora YdalgoO crítico de arte Fábio Cypriano falou sobre o quanto Willian Klein influenciou a moda com suas fotos. Originalmente, ele não era um fotógrafo de moda, até ser convidado pela Vogue de Nova York (onde ficoude 1955 a 1966). Nesta revista ele inovou de vez o estilo das fotos de moda. Esta, para ele, não era o tema central da fotografia e sim o meio para tratar da imagem e de sua construção. Ele manteve sempre um certo distanciamento da moda. Apesar de no início não ser tão aceito, a Vogue insistiu em suas fotos, já que elas eram vistas mais demoradamente, provocando um certo estranhamento. Com isso, as próprias roupas se tornavam marcantes nas cabeças das leitoras que observavam estas fotos, tiradas em locais inusitados para época. William Klein é uma figura fundamental na história da fotografia de moda, pois foi o precursor das fotos deste gênero em lugares estranhos a este meio. E hoje, há cada vez mais fotos em lugares inusitados. Os fotógrafos se apropriaram desta idéia, e atualmente este tipo de foto já é padrão.

Rosa Maria

Sobre os desfiles que ocorreram na “tarde fashion” e chuvosa dentro do cinema, eles oportunizaram jovens estilistas a mostrarem suas, aparentemente underground, criações. O primeiro foi a apresentação dos trajes de inspiração essencialmente rock´n´roll de Rosa Maria: muito xadrez e preto. Antes do desfile, foram exibidas algumas fotos de sua coleção, em um tom um tanto burlesco, em que mostravam uma modelo aparentemente bem idosa. O segundo desfile apresentou as t-shirts divertidíssimas e lindas desenhadas por Rafael Vivian. Com o tema “Fabulous” e bolinhas de sabão no ar, as modelos desfilaram com saias de armação de tule e camisetas de diferentes tipos, inspiradas em contos de fada. O último desfile remetia à boemia castelhana e a um “quê” de dançarinas de tango. Usando maquiagem pesada, as modelos apresentaram corseletes e vestidos com amarrações atrás que deixaram as roupas muito sexy. A estilista Débora Ydalgo escolheu o tema “noite”, fazendo uso das cores bordô, vermelho, preto e cinza, que combinaram muito bem com as camisas brancas usadas para apresentar sua coleção.

 

*Ana Carolina Acom é formada em Filosofia pela UFRGS, pesquisa moda e semiótica das vestimentas.

Fotos: Roberta Rocha


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