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  Fashion Rio - Verão 2007


Ana Carolina Acom *

O maior evento da moda carioca, o Fashion Rio, que normalmente acontecia no MAM (Museu de Arte Moderna), nesta estação mudou de lugar e ocorreu na Marina da Glória, ainda mais perto do mar. Desfiles das coleções de verão na cidade símbolo deste país tropical e em plena euforia futebolística... Nada poderia ter mais elementos tipicamente brasileiros!

A moda é um dos setores que mais emprega no Brasil, ela é também capaz de dialogar com diferentes formas culturais e diversos meios sociais. Paralelamente ao Fashion Rio houve o desfile da notável Daspu no Circo Voador. A marca, que já vendeu uma grande quantidade de camisetas, agora ampliou suas peças, incluindo jeans, shortinhos e vestidos. A estilista Rafaela Monteiro assina a coleção da Daspu: “BR 69” inspirada nos caminhoneiros. Já no palco do Fashion Rio, as estrelas dos desfiles eram ninguém menos que a maior Top do mundo, Gisele Bündchen, que desfilou para Colcci, e a namoradinha do Fenômeno, Raica, apresentando a coleção da TNG, desfile com direito à homenagem a seleção brasileira e tudo.

As tendências para o verão 2007 mostram contrastes entre o “coloridismo” e a mistura de estampas com o branco total, além do comprimento das saias e vestidos: compridos e soltos ou bem curtinhos como exige o verão carioca. Algumas marcas optaram por realizar os desfiles em locais adversos, como o da Sommer, que teve as peças desenhadas por Thais Losso e foi realizada no alto da floresta da Tijuca. O espírito do desfile era por si só uma grande “mistureba”: clima de safári, presente nas estampas de bichos e nos tons cáqui, com uma pitada de país “caribenho-tropical-reggaeiro”. As roupas apresentaram coloridos étnicos em modelos bem modernos, joviais, criativos e, além disso, vendáveis. Outro destaque é para a apresentação de Walter Rodrigues, cujo desfile aconteceu sobre um tapete vermelho estendido na praça Monroe, e também foi todinho vermelho. As modelos entraram primeiro com vestidos longuíssimos e exuberantes, e, no decorrer do desfile, os comprimentos iam subindo, tudo na cor do sangue. Além de roupas em couro vermelho, como vestidos e calças, apareceram peças bufantes e também o uso do balonê, que cada vez mais vem se afirmando como tendência, sendo usado por diversas marcas.

Os vestidos e batas de corte trapézio ganham particular destaque neste verão, como podemos ver em criações da Colcci, Charllotte, TNG entre outras. O xadrez Vichy (tipo toalha de mesa) apareceu bastante em diferentes desfiles, por vezes junto às listras, que também são tendência da estação em diferentes segmentos. Os macacões, macaquinhos e jardineiras estiveram presentes em várias coleções, por vezes modernos, outras dando ares de anos setenta. E por falar em anos setenta, os ombros de fora também lembram esta década, pois decotes do tipo tomara-que-caia e “um ombro só” parecem que estão voltando, perfeitos para nosso tão quente verão.

Algumas marcas, como a já citada Sommer, apresentaram muitas misturas, sejam de estampas ou de cores. Criações super coloridas puderam ser vistas nos desfiles de: Luiza Bonadiman, TNG, Athria Gomes, no melhor estilo anos oitenta, apresentando fusôs e cintura alta, com direito até a vinil colorido na cabeça. As marcas Redley e Nina Becker também estavam bem coloridas. A primeira seguiu uma linha anos oitenta, inspirada nos Rapers da época, enquanto que a segunda teve inspirações aparentemente bem setentistas. Algumas marcas apresentaram a cintura alta, com destaque para a Cantão, que trouxe para passarela calças e macacões jeans nesta forma. Particularmente, eu tenho minhas dúvidas se esta moda pega no Brasil, pelo menos por enquanto, já que as brasileiras se renderam aos vestidos e as faixas que marcam o lugar certo da cintura.

Encerro este texto, sobre os desfiles da capital brasileira do verão, afirmando que de calor os cariocas entendem bem, de moda já não sei... Aguardamos o SPFW e, enquanto isso, torcemos pela vinda da sexta estrela, se Deus quiser. Afinal, além da Gisele e do Ronaldinho Gaúcho, Ele também é brasileiro! E aproveitando o período ufanista, da moda exaltando as belezas do país e da torcida pela pátria de chuteiras, peço licença para prestar uma última homenagem ao Bussunda. Muitos o chamaram de o típico carioca, mas eu só sei que o humor brasileiro, e por que não o jornalismo, sofreram uma perda irreparável. Afinal, quem agora vai interpretar tão ricamente nosso presidente Lula? Até a Copa fica mais triste sem suas piadas. Mas, como a tristeza não combina com este cara, nada poderia ser mais espirituoso que morrer em plena a Copa do mundo de futebol no país da cerveja e dos salsichões. Fala séééério!

*Ana Carolina Acom é formada em Filosofia pela UFRGS, pesquisa moda e semiótica das vestimentas.

Fotos: Reprodução


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