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  Haute Couture Outono – Inverno 2006/07


Ana Carolina Acom *

Os desfiles mais glamourosos e oníricos acontecem durante a semana de moda da Alta Costura em Paris. Os últimos foram realizados entre os dias 5 e 8 de julho e apresentaram as tendências opulentas para o outono/inverno. Para buscar inspiração, para saber o que as atrizes hollywoodianas estarão usando em breve ou simplesmente para investigar o que se passa na cabeça dos estilistas mais famosos do mundo, você não pode ignorar esse evento fashion. Confira o que o modamanifesto comentou sobre os desfiles da Haute Couture Parisien e encha os olhos com as fotos. (Click nas fotos para ampliá-las)

Bom, Jean Paul Gaultier tem sido o nome da Alta Costura nas últimas temporadas. Roupas chiquérrimas e usáveis, alguns elementos selvagens e uso dos melhores tecidos e materiais. Couros e peles foram muito bem agregados a outras fazendas. Gaultier chamou a atenção por suas notáveis golas, alguns brocados e pelo cigarrinho na mão de algumas modelos na passarela. Os coloridos estiveram presentes em divertidas misturas. Mas o vestido rosa pink, bem interessante, é o que com certeza agradará todas as menininhas de 15 anos e outras mais velhas também.

Desfile da marca Christian Lacroix: olha a influência vitoriana aí mais uma vez! Tudo bem, pois os anos 1800 têm absolutamente tudo a ver com a alta costura e com vestidos longos. A coleção lembra algo de figurino de ópera, é muito bonita. Possui leves vestidos de corte império com interessantes casacos por cima, como este branco da foto, que parece um chambre todo em flores por cima de uma camisola. O elemento que deu o diferencial à apresentação, foras as meias coloridas: vermelha, roxa e azul. Elas combinaram com as peças, dando um ar mais vanguarda. Os casacos trapézios apareceram bastante, e são tidos como tendência para o próximo inverno, principalmente jogados por cima de vestidinhos.

Eu adoro o Galliano, mas confesso que às vezes ele perde o juízo além da conta. A Maison Dior proporciona toda a liberdade para ele criar e experimentar, não sei se isto não pode por algumas vezes incomodar os clientes mais fiéis e tradicionais. Mas, o que nos interessa é que podemos contar com shows como este último. Deste artista que tem na moda uma maneira de se expressar na linguagem de diferentes artes, como música, cinema, escultura teatro e etc. Para a criação de suas peças, Galliano se inspirou na idade média e na renascença. Criou princesas envoltas em armaduras. Na sua leitura, estas princesas podem também ser diabólicas e fantasmagóricas. O clima é moderno, misturando de maneira deveras inusitada o espírito punk e medieval. Com um dos lados envolto em armadura e o outro com o vestido, há contraste entre força e doçura. Os trajes são carregados de brilhos e lembram um pouco nosso carnaval. Uma coroa verdadeiramente extraordinária, feita com cristais e arame, ostenta fantásticos e perfeitos cavalos marinhos. E como se não bastasse, ao final do desfile, entra o próprio estilista vestido de astronauta, como se acabasse de aterrissar em um mundo estranhíssimo, habitado por mulheres brilhosas que trajam roupas jamais vislumbradas e possuem um semblante forte e ao mesmo tempo assustado.

O desfile da Chanel remete a algo onde o tempo não significa nada, ele foi composto por roupas e silhuetas atemporais. Calças ultra skinny em jeans, couro e outros materiais foram usadas em quase todos os looks, e estão em “altíssima”! Essas calças foram usadas de tal maneira com botas que não se distingue onde começa uma e termina a outra, pois tudo fica igualzinho como uma peça só. Vestidos, tailleurs, casacos e túnicas tudo por cima dessas coladíssimas e sensacionais calças. Bordados de pedrarias e golas interessantes apareceram dando todo charme que exige a alta costura. E a cor preta, eternizada pela própria Mademoiselle Chanel, teve destaque nessa coleção em diversos e sofisticados trajes.

Nos vestidos longos e de festa, destaco os de Elie Saab. Os cortes estavam impecáveis e o caimento perfeito, modelos belíssimos e que vestem muito bem. Mas o desfile que elegi o mais belo, foi o da marca Givenchy. Looks poderosos e aterrorizantes. Usando basicamente as cores preto e branco separadamente, as roupas deram um ar imponente  e distante a quem  as vestia, quase sobrenatural. A marca Armani Privé traduziu perfeitamente o luxo da alta costura, em modelos sensuais, super femininos e extremamente refinados. Destacaram-se os mantôs com grandes golas, os complexos drapeados, além da alvíssima e nevasca rainha branca.

 

*Ana Carolina Acom é uma Filósofa da moda - formada em Filosofia pela UFRGS, pesquisa moda e semiótica das vestimentas.

Fotos: Reprodução


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