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  Anos 60!!! Aumenta que isso é rock’n’roll!!!

Ana Carolina Acom*

Ai, ai, ai... Considero escrever sobre os anos 60 uma tarefa dificílima! Por ser uma década que admiro demais, sei que apesar de tudo que eu disser, ainda faltará muito a ser dito. Minhas palavras dificilmente estarão à altura do que significou esta década e a geração que nela viveu.

I Love LucyPortanto, vou sintetizar alguns fatos e dar uma breve idéia do que foi a moda nos anos em que viveram, os Beatles, Kennedy, Courrèges e muitos outros. E principalmente mostrar como se dá o olhar da atualidade para essa época fascinante. Foi o que fizemos no último editorial do modamanifesto, de temática “retrô” em termos gerais, sem nos prendermos a um rigorismo absoluto, visitamos algumas cenas que remetem ao passado. Passando por seriados e ambientes “domésticos”, como em “I Love Lucy”, também homenageando a música da época (assunto que merece a dedicação de um texto), com menção ao clássico do cinema, Laranja Mecânica (1971) (encontre esta referência nas fotos), além de um “quê” de boêmia francesa existencialista,também elementos para dar uma idéia, um tanto, “junkie”, e muito mais!

Pensar a revolucionária década de 60, é lembrar de: Twiggy, a minissaia, a liberação feminina e as pílulas anticoncepcionais, o Rock’n Roll e cabelos longos, LSD e psicodelia... Mas não é apenas isso! É também a era das comunicações de massa, a televisão agregou famílias e mostrou o homem pisando na Lua. Além disso, foram tempos conturbados, revoltas e manifestações estudantis agitaram todos os continentes, como as que marcaram: Praga, a França, a Alemanha e também o Brasil. O mundo parecia que ia explodir!

Os anos 60, já serviram de inspiração para muitos estilistas, e os pontos de referência são infinitos. Esta década já foi muito explorada, e por incrível que pareça há sempre novas facetas para serem mostradas e diferentes personagens para se buscar inspiração: filmes, nomes famosos da arte, moda e música, ou mesmo as disputas entre “rockers e mods”. As releituras são sempre muito interessantes, ainda mais quando se consegue transpor a “imagem” que se quer passar para a contemporaneidade, sem qualquer ar de fantasia.

Alexander McQueenAno passado, nos desfiles parisienses para o inverno 2005/06, os estilistas buscaram nesta década argumentos para suas criações, e o resultado foi excelente! Alexander McQueen fez a sua releitura particular dos anos 60 e final dos 50. Optou por uma proposta “simples” e clássica, apresentando heroínas dos filmes de Alfred Hitchcock, no melhor estilo de Doris Day e Grace Kelly em seus filmes. O convite para o seu desfile era o desenho do pôster do filme “Um Corpo que Cai” com o título de outro filme: “O Homem que Sabia Demais”. Nas roupas foi usado tweed cinza, além de trajes com todo o glamour inerente ao Rock’n Roll. Os penteados impecáveis: belíssimas escovas aspirando a clássicas atrizes da velha Hollywood.

Já em Balenciaga, Nicolas Ghesquière, fascinado pela era espacial, fez sua leitura “sixtie”, mesclando uniformes militares e espaciais. Remeteu aos anos 60 pelo domínio cultural desta época de traços futuristas, principalmente no uso das cores branca e prata. Ghesquière usou como inspiração o uniforme desenhado pelo próprio Cristóbal Balenciaga para Air France em 1968.

A corrida espacial permeou a cultura nos anos 60 e o futurismo foi tema de diversas coleções sessentistas, trazendo para moda vestidos retos, estampas e inserções geométricas. Pierre Cardin trouxe para suas roupas elementos ultramodernos, condizentes com a onda futurista. Fascinado pela exploração interplanetária, assunto presente em jornais, minisséries e filmes, criou sua coleção de 1965. Combinou o preto com cores vibrantes, deu vida a meias calças e seus chapéus eram arredondados, lembrando capacetes cosmonautas. Inclusive, no filme “Quem é você, Polly Magôo?” de 1966, os estilistas Courrèges e Paco Rabanne (que também acompanharam a onda futurista) são claramente satirizados, quando aparece um desfile de “trajes futuristas” em metal prateado, que inclusive feria as modelos. Tudo pela vanguarda na moda! Ambos estilistas revolucionaram a Alta Costura na década de 60, com matérias primas inusitadas como plásticos e metais.

Biba BoutiqueVoltando ao ano passado, tivemos também, inspirado na década de 60, o desfile da Casa Dior, por John Galliano: realizou-se ao som de dois pianistas que tocavam clássicos dos anos 60. Para o deleite de Marianne Faithfull, que estava acompanhando da primeira fila. O clima era da época auge da famosa boutique “Biba”, e da badalada Carnaby Street em Londres, década de 60, paraíso da moda “mod sixtie”. O cenário lembrava a Factory de Andy Warhol, e ao fundo monitores de TV passavam clipes da banda Velvet Underground and Nico. Galliano trouxe tendências inspiradas em sua própria cultura, e na musa de Andy Warhol, Edie Sedgwick, que tinha a cara desta coleção. Looks com boinas de couro e muitas listras foram totalmente inspirada no elemento “junkie” e ultra-alternativo desta década. A parte obscura dos impagáveis anos 60 teve sua vez. Nada clichê!

Andy Warhol e Edie Sedgwick

Penelope Tree/ChanelO desfile da Chanel teve inspiração em uma ícone “sixtie”: Penelope Tree, musa “mod”, e particularmente minha Bird (designação para as modelos “pops” e ícones dos anos 60) favorita. De franjas e longos cabelos, com os olhos bem delineados ela não fez muito sucesso no Brasil, como Twiggy. Sua maquiagem acentuava os cílios, que eram desenhados na parte debaixo dos olhos, efeito usado no desfile de Inverno 2005/6 da Chanel, o que evidenciava a semelhança com a Top do passado. Nas roupas foi usado Tweed, também visual de colegiais, além de botas brancas, acessório indispensável em qualquer guarda-roupa da década de 60.

Segue o trecho do texto “Música: Mod”, de Hígor Coutinho, para o site Speculum, a respeito do significado de Mod. “(...)o termo ‘Mod’ apareceu pela primeira vez no ensaio Today There Are No Gentlemen, em 1962 num diário londrino. O livro (e depois filme) Absolute Beginners de Colin Maclness, retrata bem essa fase de explosão do movimento, através do estereotípico personagem The Dean./Complementando o ideário do ‘Less is More’, o fardamento Mod cultuava as camisas Fred Perry, botas Clark Desert, calças Levi’s, além das famosas camisetas com o símbolo da Royal Air Force (círculos concêntricos, vermelhos, brancos e azuis), conseguidas através das novíssimas técnicas de serigrafia./E para completar o uniforme modelo, era preciso ostentar uma das famosas parkas militares, que nos fins dos anos 50 eram usadas somente para proteger as roupas caras da poeira e chuva. Porém, rapidamente este ítem se transformou em adereço obrigatório.(...) (...)Mas os Mods não estavam sozinhos, os Rockers (seus arquiinimigos) e os Teddy Boys (primeiros jovens trabalhadores ingleses a se vestirem como aristocratas) estavam a espreita! Vários dos encontros entre gangues rivais acabavam em pancadaria generalizada! Tudo isso potencializado a mil, pelo consumo demasiado de anfetaminas (adotada como droga oficial do movimento). /O antagonismo entre Mods e Rockers era óbvio: os Rockers eram o oposto frontal daquilo que era cultuado pelos modernos da época; adoravam jaquetas de couro preto adornadas com broches e correntes, ostentavam vistosos topetes, se devotavam ao rock cinquentista dos EUA (considerado ultrapassado pelos nossos amigos) e seguiam o espírito de liberdade do motoqueiro norte-americano, desprezando as benesses do trabalho duro./A radicalização histórica dessas diferenças ocorreu no dia 18 de maio de 64, no bairro londrino de Brighton, quando centenas de Mods e Rockers se enfrentaram com selvageria pelas suas ruas e praias. Este evento foi muito bem retratado no filme Quadrophenia de Franc Roddam.

Saiba mais

Assista:
Cactus Flower (1969)
Barbarella (1968)
Modesty Blaise (1966)
A Hard Day´s Night (1964)
Help (1965)
Quem é você, Polly Magôo? (1966)
Performance (1970)
Woodstock (1970)
Quadrophenia (1979)
CQ (2001)

Ouça:
The Who
The Beatles
The Monkees
The Kinks
Janis Joplin
Jimmy Hendrix
Rolling Stones

Acesse:
http://www.modculture.com/
http://www.sixtiescity.com/
http://www.modhaus.com/

*Ana Carolina Acom é formada em Filosofia pela UFRGS, pesquisa moda e semiótica das vestimentas.
Fotos: Reprodução


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