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  Entrevista com a Casa de Tolerância

Por Ana Carolina Acom*

Confira a entrevista via-email com os membros do coletivo de moda gaúcho. A Casa de Tolerância, que já é um grupo tão bem quisto pela capital gaúcha, com sua moda alternativa e seus desfiles irreverentes, respondeu “coletivamente” às perguntas do modamanifesto.

Como começou a “Casa de Tolerância” em si? O grupo desta última coleção é o mesmo da coleção passada?

Amanda Dorneles: Atuar como um grupo e ter uma marca própria sempre foi um desejo nosso, desde os tempos em que estudávamos no Senai. A oportunidade veio quando as meninas da Loja Pó de Estrela, com as quais já tínhamos parceria para bazares e eventos, ofereceram o espaço para fazermos um bazar só nosso. Daí veio a idéia de fazermos um bazar temático e apresentarmos uma nova coleção a cada edição. Então, criamos a Casa de Tolerância. Na coleção passada, ramos seis estilistas, porém, nossa colega Juliana Homrich teve que deixar a Casa.

Fala sobre a inspiração para a coleção “Férias em Acapulco”. Pois quando falamos em Acapulco, é inevitável lembrar do seriado “Chaves”, pensaram algo por essa ligação?

Nina Godinho: Quando pensamos em Acapulco, não foi exatamente POR CAUSA do Chaves, mas foi inevitável fazer a ligação logo nos primeiros instantes. Pensamos muito também nessa visão que os americanos e gringos em geral têm do povo latino, do terceiro mundo com seus povos "subdesenvolvidos" e praias paradisíacas. Escrevo "subdesenvolvidos" entre aspas, pois é assim que os estrangeiros nos enxergam. Então, como em toda coleção, acabamos desenvolvendo uma historinha para essa coleção: um casal de elite estrangeira chega numa praia paradisíaca num iate luxuoso e ficam deslumbrados entre um drink e outro na beira da praia.

Notei que as modelos que desfilam para vocês são sempre muito interessantes, exóticas e nenhum pouco estereotipadas. Poderia me falar um pouco como funciona a escolha do casting, para os desfiles e catálogos. Acho legal a apresentação das meninas que parecem se harmonizar tão bem com o conceito da Casa

Ianny Bastos: Desde a etapa da criação planejamos os desfiles super performáticos, pois tem tudo a ver com o estilo da Casa, que é irreverente e descontraído. No último desfile tivemos 3 modelos que eram também atrizes. Preferimos as modelos que tenham um perfil adequado às propostas que fazemos e realmente não gostamos de estereótipos. Nossa idéia é que o nosso público, que nem sempre é alto e magro, entenda que fazemos roupa pra ele também!

Apesar da Casa ter bastante deste espírito alternativo, vocês, enquanto estilistas, possuem referenciais na moda universal? Poderia citar nomes e falar mais ou menos como funcionam as influências dos ídolos e das tendências contemporâneas?

Amanda Dorneles: Nós da Casa, prezamos pela individualidade do grupo. Sempre estamos a par das tendências e do que acontece na moda, porém não nos posicionamos a favor nem contra. Essas influências todas passam por um filtro e nós ficamos somente com o que realmente tem a ver conosco, com o que fecha com nossas idéias.

Como tem sido a aceitação do público com as peças da Casa? São peças exclusivas ou há encomendas?

Nina Godinho: As coleções da "Casa" tem sido bastante elogiadas, não somente pela crítica como também pelos clientes e amigos. A primeira coleção foi liquidada antes mesmo da segunda ser estreada. No desfile de lançamento da segunda coleção, fomos bastante elogiados, agora estamos com a coleção à venda e daqui há alguns meses poderemos dizer se ela foi bem aceita comercialmente. Espero que sim!

Gostaria de um depoimento de cada um dos estilistas da Casa de Tolerância. Sobre a percepção que cada um tem do grupo e o que pensam da atual coleção.

Nina Godinho: Acho que a idéia do coletivo de moda foi algo inédito e inovador para o nosso estado, e já vejo o reconhecimento e o impacto da "Casa de Tolerância" no nosso meio de trabalho. Nós estamos sempre em contato com o nosso público e sempre levamos em consideração tudo aquilo que nos é dito. Portanto, estamos sempre aprimorando e melhorando nossas coleções, peças e temas para desfiles. A "Casa de Tolerância" já está muito boa do jeito que está agora, e só tende a melhorar cada vez mais e mais! E aguardem a próxima coleção, vocês não perdem por esperar!!

Ianny Bastos: Estou muito satisfeita e orgulhosa com o caminho que percorremos até aqui e acredito muito no nosso potencial. Somos o primeiro coletivo de moda do RS, num momento em que se pensa cada vez mais em moda no Brasil. Estamos aqui pra provar que também existe uma produção efervescente de moda aqui no Sul e queremos contribuir com isso, buscando nosso espaço, fazendo o que gostamos de fazer e sempre mantendo nossa personalidade.

Amanda Dorneles: Acho que a Casa de Tolerância veio com uma proposta diferente de tudo que acontece aqui no RS, que por sinal é meio parado nessas questões de moda. Nós somos o primeiro coletivo de moda atuante daqui. Nossos desfiles são acessíveis a qualquer um que quiser ver. Lançamos uma coleção a cada estação. Nossos modelos não são convencionais. Nós não somos convencionais. Prezamos pela originalidade e individualidade do grupo ao invés de obedecer tendências. Eu estou muito satisfeita com o que fazemos e as pessoas que acompanham nosso trabalho gostam cada vez mais. Isso é o mais importante.

Rafael Körbes: Na minha opinião esta foi uma coleção interessante de se trabalhar, pois resolvemos nos arriscar e inovar o trabalho, fazendo a coleção crescer quase três vezes em número de peças, criando uma linha de roupas masculinas, fazendo uma parceria super legal com a marca de acessórios Lou Lou (que desenvolveu em conjunto conosco: uma linha exclusiva de bolsas, pulseiras e cintos “Férias em Acapulco”). Foi um desafio proposto por nós mesmos para ampliar os horizontes e experimentar novas possibilidades. O interessante da Casa de Tolerância é que todos nós estamos em fase de experimentação e a Casa de Tolerância (mesmo sendo virtual por enquanto) é um espaço livre para isto.

K-róu Stockler: O que dizer da "Casa de Tolerância"?! Posso dizer que é o primeiro coletivo de moda do estado. Que é uma equipe de criação fantástica e que conseguimos realizar um projeto muito bacana que surgiu em conversas divertidas nos intervalos das aulas, nos barzinhos da Lima, mas que na verdade veiosacudir o mundo da moda gaúcha que andava meio parado e sem muitas novidades. Somos cinco profissionais cada um com seu estilo, suas manias, suas opiniões... Somos cinco criadores, trabalhamos e idealizamos nossas coleções brincando (com seriedade) para alcançarmos um resultado alegre e que visualmente crie um impacto muito grande nas pessoas. Desde a primeira coleção gostamos de trabalhar com temas irreverentes; onde podemos misturar cores, texturas, modelagens, proporções... E foi isso o que se viu em "Férias em Acapulco", onde apresentamos um conceito de "tropicalismo- fake" no qual as pessoas são bronzeadas demais, peruas demais, montadas demais, onde a vida acontece dentro de um iate com muitas festas,brincando com a visão que o mundo têm do latino-americano.

*Ana Carolina Acom é Formada em Filosofia pela UFRGS, é pesquisadora e consultora de moda e semiótica das vestimentas.

Fotos: Reprodução


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