Busca
  Vamos dar um mergulho? Um histórico dos trajes de banho.

Por Laura Ferrazza de Lima*

Modelo de maiô dos anos 50 - Revista O Cruzeiro- BrasilO verão está aí a todo vapor e o moda manifesto não ficou de fora dessa onda. Mergulhou fundo na história do biquíni e trouxemos um editorial bem refrescante no início da estação. Mas, e antes do biquíni, como as mulheres faziam para banhar-se? Tudo começa pelo próprio hábito de tomar sol. Até finais do século XIX ter a pele bronzeada era sinal de pobreza Só os camponeses que tinha de trabalhar de sol a sol para garantir uns trocados pegavam uma corzinha. Nos países escravistas, como o Brasil, isso podia fazer com que a pessoa parecesse uma escrava e isso ninguém queria naquela época de violência racial. Mesmo o mar, tão bonito, era só para ser admirado. Não passava pela cabeça de uma dama se jogar na água e nem havia roupas apropriadas para isso. Claro que já devia rolar uns banhos de riacho, mas bem na moita e cercados pelos cuidados das mucamas.

Trajes de banho de Belle Époque européia - Acervo do Museu da Indumentária de KiotoAcontece que o final do século XIX é o auge do cientificismo. Houve uma revolução de pensamento em diversas áreas. São os médicos que vão começar a indicar os banhos de mar, dizer que é saudável, como também os de rio, de águas termais, etc. O próprio sol - de vilão passa para amigo - ao menos um pouco de exposição a ele era bem vinda. Não fiquem pensando que rolava alguma marquinha de biquíni ou algo parecido. É na Belle Époqhe que surgem os primeiros trajes de banho, uma espécie de macacão. Compostos por uma espécie de calçolas e uma blusa um pouco mais cavada. Nada sexy. Quer dizer, não para nós que hoje já chegamos ao fio dental, mas uma mulher sem anáguas e metros de tecido sobre o corpo já era algo muito provocador. Imagina que agradável dar um mergulinho com isso? 

Um mergulho nos anos 40Grace Kelly de maiô em 1955


Traje de banho feito em malha com motivos geométricos de 1920Não foram apenas os médicos quem deram um empurrãozinho pro pessoal cair na água. O próprio sistema de transportes também foi importante. Principalmente na Europa, era difícil se locomover até a praia ou balneários. O trem tornou tudo mais ficou fácil, assim o turismo nessas regiões foi alavancado e virou moda por lá, que acabou sendo copiada aqui. Também pudera, com esse litoral lindo e enorme essa moda tinha que pegar mesmo! Na década de 20, a revolução de costumes pós Primeira Guerra fez as mulheres cortarem o cabelo e encurtarem as saias. Essas mudanças logo foram assimiladas pelos banhistas. Os trajes de banho femininos ficaram mais aderentes ao corpo e tomaram a forma de macacões. Contudo, o material era ainda um tecido bastante pesado de malha ou lã, o que dificultava os movimentos e deixava a roupa muito pesada depois de molhar. Nessa época começou a ser incentivado também a prática de esportes, com aval médico, é claro. A natação exigia movimentos mais precisos, trajes mais leves e menores. Isso acabaria influenciando os trajes a beira mar.

A beleza ao banho de Mack Sennett - última tendência em trajes de banho da década de 20Os anos trinta levaram o glamour do cinema para a beira da praia. Foi o início do luxo na Riviera francesa. Os primeiros maiôs - claro que supercomportados - mostravam a perna inteira, um escândalo para a época. Mas a coqueluche do momento eram as calças pantalonas lançadas por Chanel para o lazer marítimo. Eram combinadas com blusas leves e um enorme chapéu. Apesar de o biquíni ter sido lançado em 1946, como bem ilustra a reportagem de Ana Carolina no nosso site, os anos cinqüenta e seu moralismo comportado impediram sua difusão imediata. O que temos nessa época é uma diminuição no tamanho do maiô e modelos diferenciados como: o tomara que caia, os de um ombro só, e a criatividade aumentou. O tempo trouxe melhores tecidos e uma praticidade invejável para o banho de mar atual, mas alguém precisou ousar em sua época para que continuemos ousando hoje!    

Molhar as pernas em 1902 era complicado, por que as saias eram amplas e longas, a solução era segurá-laElizabeth Taylor aos 18 anos, posa numa praia de maiô nos anos 50. Nesse período, na América, o bikíni não havia ainda derrubado a peça inteira

* Laura Ferrazza de Lima é mestranda em História pela UFRGS e
pesquisadora de História da Moda.

Fotos: Reprodução 


Copyright © 2006 - 2013 - modamanifesto
Site melhor visualizado no Mozilla Firefox e no Google Chrome.