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  Fashion Rio – Inverno 2007


Ana Carolina Acom *

A cidade onde a barbárie foi instalada, apesar de muitos insistirem em chamá-la de “Maravilhosa”, apresentou suas propostas para o inverno. Ainda que o frio não dê as caras por lá, a moda apresentada no Rio de Janeiro despertou o desejo de muitos de se enrolarem em pulôveres cinzentos em dias cinzentos. A cidade das belas praias e das belas mulatas é agora chamada de capital da bala perdida. O que vemos nos tablóides e na televisão assusta e faz-me crer em quase guerra civil. Contudo, muitos moradores da cidade afirmam que é tudo exagero da mídia, basta evitar passar pela Linha Vermelha em dias de tiroteio.

Não é só o Rio de Janeiro que tem problemas, o mundo todo está à beira do caos. Por favor, me desculpem tanto pessimismo, ainda creio na beleza da arte, na sabedoria como o caminho certo e em Deus como salvador! Mas não posso evitar de citar as mazelas do universo quando a moda se volta aos elementos futuristas e utilitaristas. O futurismo dos anos 2000, já visto nas passarelas européias e agora presente por aqui, não assume uma proposta otimista e inovadora como acontecia nos anos 60, onde surgiam novas tecnologias e novidades em eletrodomésticos. O futurismo de hoje, se mescla à moda utilitária, repleta de bolsos e cordinhas e que vimos surgir com força desde o 11 de setembro. A moda que vem sendo apresentada pelo mundo diz respeito à “roupas” que devem estar prontas pra tudo, de invasão alienígena, fuga espacial, ameaça terrorista até para servirem de cobertores no caso de catástrofes naturais.

Sendo assim, os casacos em estilo anorak vêm com tudo, casacos de nylon, tafetá, alcochoados ou não e de todos os materiais possíveis. A história das cordinhas para puxar e ajustar onde quiser esteve bastante presente nas marcas que desfilaram no rio. As formas abaloadas, que também apareceram, muitas vezes foram oriundas desse mesmo puxa-puxa. Observe os casacos da Cantão e seu vestido branco na foto, são abaloadas pelas cordas. Também na foto, o interessante vestido preto com bolsos xadrez da marca Pluz Brasil, com o mesmo efeito. Esses itens refletem bem o espírito utilitário que se instaurou na moda, onde se destaca a coleção da TNG, que veio belíssima e literalmente de pára-quedas. O abaloado das roupas lembrava mesmo pára-quedas e, inclusive, o Gianecchini pisou na passarela com um desses nas costas.

Alguém me viu dizendo por aí que o branco é o novo preto? De maneira nenhuma! Afirmo, e não resta a menor dúvida: o CINZA é o novo preto! Essa cor foi mais do que vista nas passarelas, embora haja algumas vozes “peruetes” negando até a morte que isso pegue. Desculpem-me as peruas, mas o cinza está com tudo e, mais uma vez, o grunge é a coisa mais chique que há. É, faz sentido, combina com pessimismo, utilitarismo e moda mendigo carésima!!! O look é: maxi bolsa, muitos panos e tons cinzentos. Os xadrezes também vêm bem a calhar. A coleção da Drosófila mostrou bem essa veia grunge, lembrando muito a coleção de inverno do Marc Jacobs. Boa inspiração!

O futurismo, como mencionei antes, apareceu, sobretudo, nos brilhos. Muito dourado e prateado, que ficam bem quando jogados com cinza. A coleção de Walter Rodrigues foi apresentada no Gabinete Real Português de Leitura, um lugar que é um verdadeiro sonho. É uma biblioteca de autores portugueses construída no séc.XIX, sua arquitetura e suas paredes de livros transportam qualquer um para o passado. Apesar disso, o desfile contrastou, exibindo formas modernas e espaciais, com cabelos exóticos inspirados em Star Wars. O desfile da marca Sommer foi, digamos assim, o mais futurista de todos. Nas roupas e nas performances, que ocorreram no planetário, vimos uma verdadeira invasão marciana.

Sobre os comprimentos, segue a tendência dos vestidinhos ultra-curtos e as túnicas. As plataformas não podiam deixar de aparecer, ainda mais depois do look eleito omais-mais” do inverno europeu ter sido o Balenciaga com as maxi plataformas. As botas, como sempre na estação, também aparecem de cano alto ou curto. 

Elejo como as coleções mais belas a da Mara Mac e a da Eliza Conde, que ainda não é muito conhecida. A Mara Mac, com malhas muito elegantes, apresentou tudo o que é mais tendência, vindo toda em tons de cinza e chumbo, além de brilhos e cores cruas. Já a coleção de Eliza Conde, trouxe as peças mais chiques do Fashion Rio: a pantalona, outra tendência para 2007, alguns paetês, vestidos longos chiquérrimos e ao mesmo tempo muito práticos, além de belos casaquetos.       

*Ana Carolina Acom é Formada em Filosofia pela UFRGS, é pesquisadora e consultora de moda e semiótica das vestimentas.

Fotos: Reprodução


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