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  Elegância, Classe e Audrey Hepburn: o significado da “Cinderela” através da moda

Por Ana Carolina Acom* e Carolina Citton Puccini**
Texto originalmente publicado no site www.salimen.com.br

No cinema, a figura de Audrey Hepburn está sempre vinculada às estórias ao modo “Cinderela”, que se referem às transformações sociais e pessoais através da moda e do estilo. O que diz respeito à idéia de que a mulher terá sucesso, se ela vestir o look certo. Hoje em dia, os programas de televisão e as revistas estão repletos destas transformações, os “makeovers”.

Audrey HepburnNos filmes de Audrey, as roupas têm um papel decisivo nas cenas, a ponto da moda se tornar um instrumento narrativo. Além de “Cinderela em Paris”, onde ela torna-se uma modelo de alta-costura, podemos observar a importância destas mudanças de trajes e estilos em seu retorno de Paris no filme “Sabrina”, onde a transformação marca toda a trajetória do próprio filme. E também no musical “My Fair Lady”, baseado na peça “Pygmalion” de George Bernard Shaw, em que Audrey interpreta a famosa vendedora de flores de hábitos grosseiros que deve transformar-se em uma bela e educada dama. Ademais, no filme “A Princesa e o Plebeu” as transformações se dão de forma contrária, em uma “cinderela às avessas”, em que seu figurino tem tanta importância significativa quanto nos outros.

Sabrina

O figurino, colado ao corpo do ator, participa sempre da ação, e é desta forma que podemos descobrir o corpo do personagem. Um auxilia o outro a encontrar sua identidade. A partir do momento que participa da construção dessa personalidade, transmite mensagens para o público e se constitui como argumento. É uma forma de raciocínio, pela qual este público faz deduções e tira consequências sobre a linha narrativa que é contada.

Audrey HepburnAs roupas, sobretudo os figurinos do cinema, são algumas das mais importantes formas de distinção e conexão entre classes e personalidades. O vestir, como forma de “revestimento”, atua como signo condizente com a identidade social ou individual de uma pessoa. No caso do cinema, o figurino adquiri esse caráter, ainda com mais força, pois ele deve informar visualmente a função e posição da personagem. Nos papéis de Audrey, muitas vezes, seus trajes oferecem, simultaneamente, poder e proteção. O luxo que compõe o visual da ex “gata borralheira” serve como uma espécie de armadura social, pois a personagem passa a ter uma nova noção de si-mesma. E isto, vai além de aspectos sociais, pois quando Audrey se transforma na modelo de alta-costura ou na chiquérrima Sabrina da estação de trem, ela nos transmite e revela uma segurança imensa naquela “casca”, digamos assim. O momento da transformação passa tanta naturalidade, que temos certeza de que ela assumiu a sua real identidade. Porque está tão à vontade em sua elegância, que praticamente atingiu sua essência.

Cinderela em Paris

Audrey HepburnO público se arma com suas referências no momento em que assiste a um espetáculo. No caso de um filme de época, ou de uma peça de teatro que retrate uma tragédia grega, por exemplo, um professor de história provavelmente poderá tirar maior proveito da comunicação do figurino, já que tem mais conhecimento sobre esse assunto; enquanto que em um filme categorizado como pós-moderno, quem terá um entendimento mais profundo será um adolescente ou jovem adulto, uma vez que esse tipo de filme se apropria da linguagem do video-clipe, com o qual o púlbico jovem está habituado.

Com vestido de GivenchyEssas referências não são apenas de ordem teórica. As primeiras referências que temos são nossa educação, fornecida por nossa família, e posteriormente nossos valores. A escola e/ou a faculdade bem como nossa curiosidade, trazem os conhecimentos de ordem teórica. Nossas vivências formam o que podemos chamar de bagagem emocional. Como cada pessoa tem uma formação pessoal diferente e de certa forma, única, nossas referências também são muito particulares. Logo, nossas referências únicas definem nossa forma de perceber o espetáculo, o ator, sua atuação e seu corpo tecnológico, o figurino. Esse conjunto de referências é o que constitui a nossa visão de mundo e nossa realidade.

Bonequinha de Luxo

SabrinaA imagem de Audrey Hepburn sempre esteve associada à noção de elegância, classe e estilo. Sua doçura e encanto a tornaram signo universal, e referência na moda e na aparência feminina. Mas, o “efeito Cinderela” foi algo marcante e definitivo para sua pessoa, não apenas em sua carreira em Hollywood, mas também em sua própria história como mulher e atriz. Audrey Hepburn chegou a passar fome durante a 2º. Guerra Mundial, contudo, reergueu-se e tornou-se ícone, hoje é citada em qualquer bibliografia de moda ou cinema. Além disso, ela inspirou um dos maiores nomes da alta-costura francesa - Hubert de Givenchy. A atriz era sua musa e traduzia todo o glamour e sofisticação que Givenchy desejava em suas criações. Ele a vestiu tanto para o cinema quanto em sua vida privada, desta ligação nasceu um forte vínculo de amizade e Audrey não confiava a ninguém mais seu guarda roupa. Cito Audrey Hepburn: “São as maravilhosas criações de Givenchy que fortalecem o meu estilo. Quando as uso, elas têm o poder de tirar a minha insegurança e timidez. E sei que eu me torno o melhor de mim mesmo: é metade da vitória. Quando coloco o meu tailleur preto com aqueles botões maravilhosos, me sinto segura em falar na frente de 800 pessoas! Hubert deu-me confiança em mim. O que mais pedir de um estilista?

*Ana Carolina Acom é especialista em Moda, Criatividade e Inovação, pela Faculdade de Tecnologia do SENAC-RS e graduada em filosofia pela UFRGS. É colunista e produtora do site modamanifesto.com , atua como pesquisadora e consultora de moda e semiótica das vestimentas. Possui artigos publicados em diversas revistas e sites do país. Atualmente é responsável pela consultoria de estilo e marketing das marcas Fragmento, Atelier Maria Lucia e Corina (moda infantil).

**Carolina Citton Puccini é especialista em Moda, Criatividade e Inovação, pela Faculdade de Tecnologia do SENAC-RS e graduada em Publicidade e Propaganda pela PUCRS. Atua como produtora de moda e figurinista, com trabalhos em diversas revistas, televisão, cinema e teatro. Além disso, é responsável pela produção dos editoriais e atualizações do site modamanifesto.com , e é consultora de estilo da marca Fragmento, em parceria com Ana Carolina Acom.

Fotos: Reprodução


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