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  Edith Head: mestra do figurino

Carolina Citton Puccini*

Edith HeadÉ impossível falar em figurino e não se falar em Edith Head. Tudo começou quando Edith respondeu a um anúncio para trabalhar no departamento de figurino da Paramount. Sem saber desenhar, ela pegou emprestado os croquis de uma amiga, e apresentou como se fossem criações próprias. Uma vez contratada, ela começou desenvolvendo figurinos para filmes mudos, e na década de 30, já havia se estabelecido como uma das principais figurinistas do estúdio. Ela trabalhou para a Paramount por 44 anos, até 1967, quando foi para a Universal Pictures.

Na Paramount, Howard Greer era o chefe do departamento de figurino e foi responsável por ensiná-la a desenhar. Logo, Travis Banton tomou o lugar de Howard e com isso, os trabalhos menores passaram a ser responsabilidade de Edith, que cuidava dos figurinos das estrelas em ascensão. Por norma do estúdio, as atrizes novatas não podiam opinar sobre os figurinos que iriam usar. Mas Edith, muito esperta, sempre as consultava, para saber do que gostavam e o que lhes caía bem. Isso fez com que mais tarde, quando as “novatas” já haviam se tornado atrizes consagradas, Edith fosse sempre lembrada. Como todas se sentiam as preferidas de Edith, elas exigiam que a figurinista confeccionasse os figurinos dos filmes que participavam.

Quanto às suas próprias roupas, Edith sabia que não era glamourosa. Se vestia sempre de preto e branco ou bege e marrom, adotando um estilo que chamava de “matrona elegante”. Às vezes, raramente, usava vermelho. Enquanto trabalhou na Paramount, usou sempre luvas brancas. Mas sua marca registrada eram seus óculos escuros. Os óculos, na verdade, tinham lentes azuis, um truque muito usado pelos figurinistas na época dos filmes em preto e branco. Vendo os trajes por trás de uma lente azul, eles podiam ter noção de como uma cor ficaria em preto e branco na tela. Para não ter que ficar segurando as tais lentes, como a maioria fazia, Head mandou fabricar uma armação com lentes azuis, ficando assim com as mãos livres para suas outras tarefas.

Edith aprendeu a desenhar, e também a cortar, alfinetar e alinhavar, apesar de nunca costurar à máquina, apenas à mão. Ao trabalhar com o diretor Alfred Hitchcock, os dois desenvolveram um call board, uma espécie de story board específicos para os figurinos, onde ela podia visualizar os trajes de todos os personagens juntos em uma cena. Head e Hitchcock penduravam pequenos croquis coloridos, garantindo que as roupas formariam uma composição harmoniosa na tela. Roupas que tinham silhuetas ou cores muito parecidas com as de outro personagem eram eliminadas e trocadas do guarda-roupa final da produção.

A figurinista produziu, com exceção de Psicose, a maioria dos filmes da fase americana de Hitchcock, e adorava trabalhar com o diretor, pois seus roteiros detalhados facilitavam muito seu trabalho. Segundo Edith, Alfred era um dos únicos diretores que descrevia meticulosamente as roupas dos personagens, tanto que um figurinista poderia criar todas as peças para o filme sem nem conversar com ele. O diretor apreciava as cores claras na maioria das vezes, a menos que houvesse um motivo na história para o uso de cores mais fortes. Hitchcock acreditava que as cores podiam diminuir a importância de uma cena de ação.

Edith Head, à esquerda, mostra croquis para Alfred Hitchcock e Ingrid Bergman para o filme Interlúdio, de 1946
Grace Kelly e Cary Grant em Ladrão de Casacas
James Stewart e Grace Kelly em Janela Indiscreta

Edith criou figurinos para cerca de 500 filmes, sendo responsável por alguns dos mais conhecidos trajes de Hollywood, e seus figurinos eram usados pelas mais famosas atrizes da época, como Ginger Rogers, Bette Davis, Gloria Swanson, Elizabeth Taylor, Audrey Hepburn, Grace Kelly, Marlene Dietrich, Rita Hayworth, entre outras. Em 1948, por exigência dela e de outros figurinistas, o Oscar de Melhor Figurino foi criado, sendo primeiramente divido em dois prêmios (Preto e Branco e Colorido). Naquele mesmo ano, Edith não foi indicada, mas posteriormente recebeu 34 indicações para o Oscar, das quais ganhou 8 – Tarde Demais (1950), Sansão e Dalila (1951), A Malvada (1951), Um Lugar ao Sol (1952), A Princesa e o Plebeu (1954), Sabrina (1955), The Facts of Life (1961) e Golpe de Mestre (1974) – tornando-se assim a mulher que mais ganhou Oscars até hoje.

Edith e seus 8 Oscars

Sempre se reinventando, Head certamente influenciou não só figurinistas de sua época como as gerações de profissionais que vieram depois. Segundo a própria: “O que um figurinista faz é uma mistura entre mágica e camuflagem. Nós criamos a ilusão de transformar os atores em quem eles não são. Nós pedimos ao público para acreditar que cada vez que eles vêem um artista na tela, ele se transformou em outra pessoa.”                

Edith Head morreu em 1981, mas nos anos 2000 foi relembrada em homenagens póstumas. Em 2003 fez parte de uma tiragem comemorativas de selos que homenageavam os profissionais do cinema e em 2004 serviu de inspiração para o personagem Edna Moda, no filme de animação Os Incríveis, claramente uma caricatura da figurinista.

Edna Moda, personagem de Os Incríveis, inspirada em Edith

*Carolina Citton Puccini é especialista em Moda, Criatividade e Inovação, pela Faculdade de Tecnologia do SENAC-RS e Bacharel em Publicidade e Propaganda pela PUCRS. Atua como produtora de moda e figurinista, com trabalhos em diversas revistas, televisão, cinema e teatro. É responsável pela produção dos editoriais e atualizações do site. É consultora de estilo e designer de estampas da marca fragmento. Integra o projeto “As Carolinas”. Nas horas vagas, trabalha com design editorial.

Fotos: Reprodução


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