Deprecated: mysql_connect(): The mysql extension is deprecated and will be removed in the future: use mysqli or PDO instead in /home/modamani/public_html/includes/config.php on line 6
modamanifesto
  Busca
  Filosofia Pop

Ana Carolina Acom *

O caderno Cultura da Zero Hora recentemente expôs o tema: Filosofia Pop. Chamando a atenção de que a filosofia está em alta, cursos particulares para executivos e bem sucedidos em geral, leigos no assunto, são cada vez mais procurados no Rio de Janeiro e em São Paulo. A televisão já reserva espaço para as filósofas, a exemplo de Márcia Tiburi no “Saia Justa” e Viviane Mosé que possui um quadro no “Fantástico” chamado “Ser ou não ser”.

A filosofia, um dos mais difíceis e herméticos campos do conhecimento, mantido como uma compota lacrada importada da Europa pelos meios acadêmicos, como bem colocou Márcia Tiburi, começa a mirar o público leigo. Muito justo, o pensamento crítico deve ser livre, e as pessoas não devem se conformar com o que lhes é imposto. Essa popularização da filosofia assusta alguns pensadores e sem dúvidas é perigosa. Um estudo que por tanto tempo foi taxado de inútil e para desocupados e malucos está virando moda. Os livros de iniciação ao tema se tornam cada vez mais comuns e as editoras agradecem.

É bom avisar que filosofia não é auto-ajuda! Mas ela pode ser útil sim. Popularizar a filosofia não deve ser comentar livros e filósofos famosos, ou citar Nitzsche porque parece “cool” e rebelde. A filosofia deve despertar em todos o pensamento, há muito adormecido. E não é sair por aí “viajando” e descrevendo alucinações, é algo sério, muito divertido e que deve poder ser aplicado ao dia-a-dia. Ao invés de aceitarmos e engolirmos o “bum” de informações que nos chegam como se fossemos uma caixa que acumula coisas sem serem digeridas, devemos questionar.

“Por que?” Essa é a pergunta básica da filosofia. É importantíssima a capacidade de análise crítica das coisas para buscar qualquer conhecimento. Senão, é só informação, conteúdo vazio que acumulamos e aceitamos. Os meios de comunicação são os mais vastos possíveis e política, violência, saúde, moda, gastronomia e etc. são assuntos que nos são bombardeados, todos ao mesmo tempo, nos envolvendo e deixando algumas marcas. Mas não é certo contentar-nos com a mera assimilação desse caos. Concordo que é muito difícil ter uma opinião a respeito de tudo, eu não consigo. Mas é preciso termos a capacidade de pensar a respeito, comentar não é contar o que viu. Devo poder dizer a que as coisas me remetem o que me parece tal assunto, coisas boas, ruins. Não é à toa que a filosofia está em voga hoje, nesse mundo onde é realmente difícil absorver e pensar ao mesmo tempo.          
           
Desse modo, se a filosofia está em moda, porque não trazer a moda à filosofia?
 
A roupa é sem dúvidas algo essencial, pelo menos na civilização atual onde vivemos. Não há como fugirmos dela. Seja em uniformes, trapos, alta costura, grandes magazines ou grifes caríssimas que nem sabemos porque as desejamos. Bom, só aí enxergo laudas de análises, o assunto é vasto, as questões envolvem da ética á metafísica.
 
Contudo, acho deveras importante para o sujeito, a filosofia como um instrumento de análise de si mesmo. A identidade é uma questão metafísica que Aristóteles já tratava, eu sou igual a eu mesmo. E o Eu é sempre um objeto de conhecimento a ser valorizado e descoberto, eu não sou um engolidor de tendências no mundo do consumo. Devo pensar sobre quem sou, onde estou e o que realmente quero e importa. Por isso, olhe-se no espelho, faça a velha e metafísica pergunta “quem sou eu?”. Isso é auto-conhecimento, não tem nada a ver com auto-ajuda. Afirmo que só a partir disso alguém poderá achar seu estilo! Lembram da historinha “As Novas Roupas do Imperador”? O Imperador foi enganado, se manteve nu com medo que pensassem que não era inteligente, assim como sua corte que elogiava suas roupas “invisíveis” com receio de serem taxados de ignorantes. Não seja uma vítima da moda, da mídia ou do grupo a que pertence. Pense sobre o mundo, de verdade! “Conhece-te a ti mesmo”, como disse Sócrates citando o Oráculo de Delfos.
 
E como já dizia Raul Seixas: “eu sou eu, Nicuri é o diabo”.


*Ana Carolina Acom é uma Filósofa da moda - formada em Filosofia pela UFRGS, pesquisa moda e semiótica das vestimentas.


Copyright © 2006 - 2013 - modamanifesto
Site melhor visualizado no Mozilla Firefox e no Google Chrome.