Busca
  Semana de Moda Paris – Verão 2011


Ana Carolina Acom *

Desta vez, trago muitos estilistas japoneses para figurar em meu parecer sobre Paris. A moda e sua esfera artística é o que mais me inspira a comentar. Yohji Yamamoto, o mestre do minimalismo desde os anos 90, apresentou sua coleção novamente em preto. Passam tempos, ele varia entre branco e de vez em quando arrisca um vermelho, mas sempre acaba voltando a esta sóbria cor. Amei sua coleção e, sobretudo, o vestido com saias em fitas de gorgorão. Suas bruxinhas pálidas e escabeladas arrasaram na passarela. Depois, temos Junya Watanabe em seu navy fantasmagórico: listras, azul marinho, delicadas estampas navais e rostos cobertos - formas maravilhosas que misturam básicos com vanguardas. Tsumori Chisato também trouxe algumas marinheirinhas, e muitos coloridos lúdicos, que hora lembram desenhos infantis, hora remetem ao surrealismo – coleção super bacana. Encerrando a lista de japoneses: Rei Kawakubo para Comme des Garçons. A marca sempre se destaca por algum motivo, e dessa vez foram essas apaixonantes gêmeas siamesas. Acho que todos já sabem que adoro uma vibe mórbida, mas gêmeos intrigantes e o tema döppelganger são particularmente fascinantes.

Em termos de moda–arte há um estilista que cada vez mais merece destaque e atenção. Gareth Pugh cria roupas como se fossem esculturas, mas podemos ver que ele também cria pensando nos moldes da anatomia feminina, pois são peças que podem ser vestidas tranquilamente pelas ruas. Seu prateado mágico é de algum material instigante e sedutor, e sua modelagem é sempre dentro de uma inovadora e impecável alfaiataria.

As bonecas de Galliano continuam me agradando horrores. Para a Dior: pin-ups navy, em make-up over, quepes marinheiro e óculos gatinha. E para sua marca própria, Galliano segue no clima entre os anos 20 e 30, mas com sua assinatura única e contemporânea. Sempre adoro os makes destes desfiles e a produção de altíssimo nível. Vestidos em camadas e babados da marca John Galliano são forte tendência.

Balenciaga não traz grandes novidades, formas quadradas e estruturadas que já apresentava há algum tempo. A novidade mesmo foi Gisele Bündchen, que em minha opinião é uma estratégia de marketing um tanto cafona... Embora marketing e cafona muitas vezes transitem lado a lado, a Balenciaga tem muita tradição para recorrer desta maneira.  Para encerrar: as sangrentas camisetas da Balmain, jaquetas cheias de metais e milhares de joaninhas – ótima escolha de bandeiras americanas envelhecidas e manchadas de sangue. 

*Ana Carolina Acom é graduada em filosofia pela UFRGS e especialista em Moda, Criatividade e Inovação pelo SENAC – RS. Atua como pesquisadora e consultora de moda e semiótica das vestimentas. Possui artigos publicados em todo país, e é responsável pela consulta de estilo da marca fragmentos.

Fotos: Reprodução


Copyright © 2006 - 2013 - modamanifesto
Site melhor visualizado no Mozilla Firefox e no Google Chrome.