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  Homenagendo os clássicos Monstros da Universal Pictures

Ana Carolina Acom *

Após o modamanifesto explorar ao máximo as tendências de vampiros e lobisomens no cinema e na moda, inclusive discutimos o tema de horror em mesa-redonda durante a feira do livro 2009, resolvemos exorcizar esses seres de vez. A idéia de um editorial “Vampiros” era tentadora, porém esgotada pela mídia através da geração de “novos vampiros”. E fotografar apenas o estilo “lobo-women” era restringir bastante a criação de looks. Foi então que lembrei da origem desses seres no cinema e da própria saga de monstros criada pela Universal Pictures entre as décadas de 30 e 50.

Com uma vasta lista de Monstros escolhemos os mais interessantes para a moda, e coincidentemente os mais consagrados pela Universal. Claro que foi um prazer caracterizar nossa modelo como o clássico Drácula, usando todos os clichês possíveis: de gola altíssima a presas enormes. Nada de modernizar o legado deste imortal! O resultado foi ele se assemelhar mais aos personagens de Christopher Lee do que Bela Lugosi.

Dentre os outros Monstros, demos vida ao Lobisomem, o Homem-Invisível, a Múmia, a Noiva do Frankenstein e o Monstro do Pântano, todos caracterizados em versões femininas e muito elegantes.

O “Drácula (1931)” de Bela Lugosi, marca a inclusão do vampiro no cinema falado. O sucesso desta película impulsionou a Universal Studios a produzir alguns dos maiores clássicos do terror de todos os tempos, reinando absoluta, por mais de 10 anos, como a maior produtora do gênero.

Depois do “Drácula”, inspirado na obra de Bram Stoker, foi a vez de filmarem outra adaptação literária: “Frankenstein (1931)” da obra de Mary Shelley. Estrelado pelo genial Boris Karloff, este filme traz fortes elementos do cinema expressionista alemão, sendo considerado uma obra prima e imortalizado como referência para admiradores do horror. Para os propósitos de nosso editorial de moda, optamos por representar “A Noiva de Frankenstein (1935)”, que é até hoje considerado um dos melhores filmes de terror da Universal Studios.


Também interpretado por Boris Karloff, “A Múmia (1932)” trata sobre a ressurreição acidental do sacerdote egípcio Imhotep. O filme se passa na década de 20 e foi inspirado em uma expedição desta época, cuja equipe veio a falecer em seguida, criando-se a lenda da “maldição do faraó”. Já a múmia de nossas fotos, vem enrolada em muitas ataduras, vestindo um chiquérrimo vestido bandage Herve Leger (criado por este estilista nos anos 80, o vestido de faixas, tipo ataduras elásticas ultra justas, voltou como forte tendência nos últimos tempos). A maquiagem sugere algo de decomposto em um cadáver embalsamado com mais de três mil anos.

Nossa representação do fantástico “O Homem Invisível (1933)”, filme baseado na obra de H.G. Wells, traz uma distinta “mulher invisível”, que nos remete às mascaras de Lady Gaga. A cantora, que chama carinhosamente seus fãs de “Little Monsters”, sem dúvidas não poderia deixar de influenciar alguns looks. Nesse caso, foram suas aparições com rendas ou panos que cobriam todo o rosto, que inspirou nossa tela de tule para preencher a invisibilidade de nossa monstra. Além disso, este personagem deu muito o que falar, pois foi o mote para a nossa mesa-redonda da feira do livro 2010: “O Homem Invisível” de HG. Wells. Confira o texto aqui.

Para a “mulher-lobo”, usamos muitas peles, e meias-calças rasgadas, que sugerem uma agressiva, repentina e dolorida metamorfose. Além disso, criei especialmente para as fotos, uma tiara com cabeça de lobo. Os lobisomens estiveram bastante em voga neste ano. “O Lobisomem (1941)” foi revisitado recentemente na pele de Benício Del Toro, e séries de TV e filmes, que tinham o foco em vampiros e outros seres fantásticos, estão invocando estes peludos “uivantes” em diversas histórias.

Após mais de 10 anos da era dos Monstros clássicos da Universal, surge “O Monstro da Lagoa Negra (1954)” no auge do horror atômico no cinema, quando os maiores medos se voltavam à Guerra Fria e à ameaça de uma catástrofe nuclear. A tendência, que dominou a sétima arte na década de 50, era retratar mutantes, discos voadores e invasões alienígenas. O monstro do lago era uma criatura anfíbia, uma espécie aterrorizante de elo perdido entre seres marinhos e terrestres. No editorial, este ser foi um dos mais belos resultados que obtivemos nas fotos. A licença poética nos permitiu adaptá-lo para algo inspirado no personagem dos quadrinhos criado em 1971, “O Monstro do Pântano”, um homem que foi transformado em um monstro composto por matéria vegetal. E como referencial de vestimenta, a monstra tem um quê de “Hera Venenosa” saída do pântano. De fato, eu estive em uma região pantanosa para coletar “matéria vegetal”, ou seja, muitas plantas compõem o look, incluindo a tiara de folhas já bastante descaídas e “lamanosas”.

Sobre o make-up
Para recriarmos estes monstros clássicos, na forma feminina do editorial de moda que idealizamos, a maquiagem artística e o cabelo foram mais que fundamentais. Para isso, contamos com o essencial beauty artist Eric Maekawa, que soube completar exatamente o que necessitávamos para a verossimilhança e o estilo que almejávamos. Nos estúdios da Universal, o criativo e carrancudo maquiador Jack Pierce, ficou conhecido como o “homem por detrás dos monstros”, inclusive há um documentário e um livro sobre ele com este título. Pierce criou e executou as maquiagens de todos os monstros citados, a não ser o tardio monstro da lagoa.

figura 11 Jack Pierce e Boris Karloff

O ator Lon Chaney ficou famoso na década de 20 por criar maquiagens horrorosas e memoráveis para seus personagens em “O Corcunda de Notre Dame (1923)” e “O Fantasma da Ópera”. O ator morreu prematuramente em 1930, mas abriu um nicho evidenciando a importância do maquiador. Dessa forma, Jack Pierce, contratado pela Universal, desenvolveu uma coloração especial para a pele de Lugosi em “Drácula”, no entanto, o ator insistia em fazer sua própria maquiagem. A seguir, Pierce desenvolveu “Frankenstein”, uma de suas mais significativas criações, com a clássica cicatriz na cabeça e os parafusos no pescoço, que serviram de eletrodos. A partir daí ele desenvolveu uma parceria amigável e duradoura com Boris Karloff, e trabalharam juntos em outros filmes, como todas as seqüências da Múmia, onde sua concepção de maquiagem foi inestimável. O mesmo não se pode dizer de sua relação com o ator Lon Chaney Jr. (filho do 1º. Lon Chaney) de “O Lobisomen”. As maquiagens eram bastante demoradas, e para o homem lobo o processo de colocação de aparelho nos dentes e colagem de pêlos de iaque (espécie de búfalo) com ferro quente, foi longo e muito desconfortável. Chaney acusava Pierce de queimá-lo propositalmente, e como se não bastasse, certa vez o ator teve uma reação alérgica à maquiagem.

Lon Chaney
Bela Lugosi
Jack Pierce e Boris Karloff
Lon Chaney Jr. e Jack Pierce

O trabalho de Jack Pierce na Universal tornou-o referência para muitos campos do entretenimento. Ele criou ícones reverenciados até hoje, foi inovador e essencial para o cinema de horror, revolucionando técnicas da maquiagem artística e explorando diferentes materiais. Contudo, Pierce sentiu que nunca teve o reconhecimento que merecia, e morreu um homem amargo. Finalmente, em 2003, foi reconhecido com o prêmio Hollywood Make-up Artist and Hair Stylist Guild”.

Confira as fotos de nosso editorial e observe a transição e releitura de clássicos para moda além do óbvio!

*Ana Carolina Acom é graduada em filosofia pela UFRGS e especialista em Moda, Criatividade e Inovação pelo SENAC – RS. Atua como pesquisadora e consultora de moda e semiótica das vestimentas, através de palestras, produções e desenvolvimento de figurino. Possui artigos publicados em todo país, e é responsável pela consulta de estilo da marca fragmento. Além disso, integra o projeto “As Carolinas”, com atuações em diferentes setores da moda.

Fotos: Reprodução


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