Deprecated: mysql_connect(): The mysql extension is deprecated and will be removed in the future: use mysqli or PDO instead in /home/modamani/public_html/includes/config.php on line 6
modamanifesto
  Busca
  As duas torres do terror

Napoleão Schoeller de Azevedo Júnior *

Os filmes de terror estão amplamente presentes nas salas de cinema, normalmente rendendo uma boa bilheteria. Mas esse gênero, embora tão antigo quanto o próprio cinema, nem sempre teve tamanha popularidade, a ponto de ser um dos elementos chaves da chamada “cultura pop”. É correto dizer que houve ciclos anteriores na história da indústria cinematográficas em que o terror recebeu um tratamento especial, mas ele jamais esteve tão arraigado nesse meio como atualmente.

Noel Carrol (“A filosofia do Horror ou Paradoxos do Coração”) apresenta uma visão geral desses ciclos, sendo que o primeiro deles ocorreu no início dos  anos 30, com os monstros da Universal Studios. Depois desse, vieram outros, como as produções da Hammer Film na segunda metade dos anos 50 e durante a década de 60. Apesar dessa fama relativa, o terror ainda não havia conquistado um sucesso arrebatador. Isso só veio a acontecer em 26 de Dezembro de 1973, quando estreou “O Exorcista”. O impacto desse filme foi enorme, rendendo uma bilheteria jamais vista até então ($401,400,000). Foi a partir de “O Exorcista” que os grandes estúdios reconheceram o grande potencial do gênero de terror, passando a investir pesado nesse segmento. Esse sucesso abriu caminho para outros filmes, como “Tubarão”, de 1975, que arrecadou ainda mais ($470,653,000). Portanto, é possível afirmar que “O exorcista” é um divisor de águas para o cinema de terror.


Com isso um paralelo pode ser traçado, em relação às histórias em quadrinhos. É notório que o mercado dos quadrinhos é dominado pelas empresas norte-americanas Marvel e Dc Comics. Antes de 1984, os quadrinhos de terror sempre tiveram um público cativo, mas, semelhantemente ao que ocorrera no cinema, ainda não haviam perdido o caráter marginal. Foi só depois que o editor Len Wein, da Dc, resolveu convidar um premiado roteirista inglês para escrever histórias sobre um personagem que o próprio Wein inventara na década de 70, é que o terror começou a entrar com força total nos quadrinhos. O escritor era Alan Moore, e o personagem era o Monstro do Pântano. O sucesso de público e crítica foi enorme, o que influenciou o lançamento de outros títulos com temática sombria e pesada, criados por escritores europeus, novos contratados das poderosas Marvel e Dc. Essa revolução nos quadrinhos alcançou sua vitória simbólica em 1993, quando a Dc lançou um selo chamado “Vertigo” para abrigar histórias do gênero. Foi nesse momento que o terror, o mistério, o suspense e o fantástico ganharam um lugar permanente e de destaque no mundo dos quadrinhos, fornecendo para a “cultura pop” personagens com a força de um John Constantine, por exemplo, cuja primeira aparição foi, justamente, na revista do Monstro do Pântano, da era Moore.


Por tudo isso, podemos dizer que “A Saga do Monstro do Pântano” representou para as histórias em quadrinhos aquilo que “O Exorcista” representou para o cinema. As duas obras abriram caminhos para o terror, permitindo que esse gênero se estabelecesse, finalmente, como uma das vigas de sustentação da cultura contemporânea.

* Napoleão Schoeller de Azevedo Júnior é doutorando em filosofia pela UFRGS, cinéfilo, colecionador e estudioso de quadrinhos e do gênero de horror na literatura e no cinema. Além disso é um legítimo apreciador do Rock dos 50’s e dos primórdios.

Fotos: Reprodução


Copyright © 2006 - 2013 - modamanifesto
Site melhor visualizado no Mozilla Firefox e no Google Chrome.