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  Semana de moda de Milão – Inverno 2011 – 2012


Ana Carolina Acom *

De uma forma geral eu gostei muito do que vi nos desfiles da principal semana de moda italiana. Sugiro inclusive, que o mundo volte o olhar para essas marcas com mais cuidado do que vínhamos tomando. As marcas que desfilam em Milão estão em um momento muito interessante de criação, podendo agradar os mais diversos públicos.

Começo por uma das marcas que reina no universo minimalista, a genial Jil Sander: adoro suas coleções, seus anúncios e muito mais. É tudo tão inteligentemente “limpo” e elegante! De batom vermelhíssimo e alfaiataria em moletom, seda e outras modernidades, a marca apostou nas estruturas abaloadas ou o “new cocoon” que vem por aí, ou como você preferir chamar e entender esse estilo.

Mais minimalista do que nunca foi a Blumarine, embora com uma cartela de cores “variadíssima”, os looks foram bem mais clean do que costumamos ver nos desfiles da marca. Em um primeiro momento, os trenchs, mini-saias e mini vestidos vieram em preto e em um tom lindo de bege. A seguir vieram os trajes em cores vibrantes como amarelo, roxo e laranja. Tudo em um interessante clima “sessentista”. Outro elemento lindíssimo e muito sexy foram as peças em renda guipir, incluindo belas túnicas e trenchs geniais.

A Marni eu poderia resumir na “sábia” expressão francesa: très chic. A coleção está muito bonita e também traz algo de formas estruturadas. Destaque para a excelente escolha das estampas e para as matérias em geral, como couro e pele, a aparência destes passa algo de novo e muito elegante.

A Trussardi 1911 projeta o clássico por excelência. O forte da marca são os casacos, e o estilista Milan Vukmirovic já há algum tempo manifestou seu interesse em desenhar peças que não terminam mais. Ou seja, nada de tendências/modinhas “de ser”. Esta coleção comemora os 100 anos da marca e traz belas peças em couro, como as calças e os vestidos, além do brilhante uso das peles. Aliás, as peles não param de aparecer em tudo quanto é coleção por aí!

Entre as muito chiques, segue a Prada, com cortes perfeitos abaixo da cintura, e de uma forma bem diferente da vista no inverno passado. Realmente Milão trouxe muito dos anos 60 nesta temporada. E isto é uma boa explicação para eu ter gostado tanto! Algumas linhas das vestes reverenciam Yves Saint Laurent, em homenagem ao seu vestido Mondrian de 1965. Enfim, mais uma coleção de todos agradecerem a dona Miuccia!

Mais uma vez, coloquei as duas linhas da Moschino juntas, a própria e a Moschino Cheap and Chic. São coleções distintas, mas bastante interessantes em suas particularidades. Finalmente a marca decidiu abandonar o infame chapéu de cowboy. Todos agradecem!

Parto agora para os estilos “mais hippies de ser”. Em primeiro lugar a coleção de Roberto Cavalli que eu amei. A cada coleção me apaixono mais pelo estilo da marca, algo que parece uma junção meio aberração de Ann Demeulemeester com a nacional Raia de Goeye em seus melhores dias. Essas hipongas podres de chique de Cavalli realmente me seduzem em suas estampas “rústicas”, acessórios, sobreposições e panos etéreos.

Para encerrar, cito mais dois desfiles que merecem destaque: DSquared2 em seu estilo um tanto western do século XVIII e bastante interessante. E a outra coleção deveras “retrô” divertidíssima da Just Cavalli.

*Ana Carolina Acom é graduada em filosofia pela UFRGS e especialista em Moda, Criatividade e Inovação pelo SENAC–RS. Atua como pesquisadora e consultora de moda e semiótica das vestimentas, através de palestras, produções e desenvolvimento de figurino. Possui artigos publicados em todo país e atualmente reside em Montreal – Canadá, realizando pesquisas de tendências para marcas do Brasil, em que é responsável pela consultoria de moda e estilo. Além disso, integra o projeto “As Carolinas”, com atuações em diferentes setores da moda.

Fotos: Reprodução





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