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  Review SPFW Inverno 2006

Cavalera Ellus Ellus Alexandre Herchcovitch
Sommer Sommer Triton Triton

Ana Carolina Acom *

O que são tendências? O que se apresenta nas passarelas ou o que, de repente começa a ser visto nas ruas e meios fashion? Sem dúvidas que elas podem vir de diferentes segmentos. Apesar disso, ressalvo o que venho afirmando há tempos: hoje há tendências para os mais diversos estilos, gostos, paladares e olfatos... A moda na pós-modernidade, ou “hipermodernidade” como sugere Lipovetsky, não possui uma definição precisa e imóvel, o que permite a cada indivíduo descobrir a si mesmo em meio à criatividade dos estilistas.

Bom, vamos ao que interessa: os desfiles da moda brasileira para o inverno 2006 tiveram o preto como cor predominante. É a influência minimalista da qual muitos duvidaram ano passado. Entre eles, Herchcovitch, até ele diminui um pouco seu usual “coloridismo” e fez uso do preto. O xadrez e as referências à era grunge estão em alta. As calças jeans estão bem justas e a saia balonê aparece várias vezes. O inverno pede volumes, vestidos curtinhos e amplos, do tipo camisolão, coletes de todos os tipos, e uso do metalassê que vem com uma proposta diferencial e chiquérrima , além disso, nesta estação, as mangas fofas e as golas altas ganham particular importância nos trajes. A cor vermelho sangue apareceu em muitas coleções, caindo muito bem em vestidos de festa e acessórios. Além do preto total, o preto e branco juntos também tiveram destaque nas apresentações. Dica para aqueles que acompanham as tendências esboçadas na passarela: pelo menos uma peça em Pied de Poule é item obrigatório nos guarda-roupas do inverno 2006.

Destaque para o desfile de Gloria Coelho, mais uma vez impecável. Preto não é novidade em suas coleções, mas a saia, sutilmente de ursinhos, deu um toque inesperado e não menos belíssimo. Também para o desfile de Sommer, com muito balonê, foi interessantíssimo, o retrato da hipermodernidade com ar retrô (amei!). Fause Haten, cintura marcada e chic.Zigfreda, o melhor estilo anos cinqüenta e camisetas. E os desfiles que poderiam ser em qualquer lugar do mundo; Raia de Goeye, um arraso, e do jovem Pedro Lourenço que merece os parabéns.

O colorido e o maximalismo também tiveram destaque: Lino Villaventura, Karlla Giroto, Isabela Capeto entre outros. Mas em matéria de cores, o desfile mais doce e apaixonante foi o da Triton; há dúvidas se é comercial, mas o tema escolhido foi muito feliz. O clássico da Literatura de Saint-Exupéry, O Pequeno Príncipe. Com direito a maxi coat idêntico ao do personagem. Estampas lúdicas e psicodélicas de florestas, nuvens e planetas agradavelmente coloridas, como as que minha mãe usava em tempos idos.

*Ana Carolina Acom é uma Filósofa da moda - formada em Filosofia pela UFRGS, pesquisa moda e semiótica das vestimentas.

Fotos: Reprodução


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