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  Frissons Quatre ou toda a Genialidade de Wes Craven

Ana Carolina Acom *

Platéias modernas se cansaram das regras do original. Quero dizer, ainda há regras, mas elas mudaram. As mortes têm que ser muito mais diretas. O inesperado é o novo clichê. E virgens podem morrer agora. É uma nova versão 2.0, porque devemos filmar os assassinatos. É naturalmente o próximo passo do psycho-slasher-innovation” (Discurso do personagem Charlie Walker no filme “Pânico 4”, durante o “cineclube” da escola)

Durante horas fiquei me questionando se caberia escrever ou não sobre “Pânico 4”. Que relevância teria esta crítica para o modamanifesto? Mas o simples fato de o filme me abalar de uma maneira muito positiva e eu sair encantando com os recursos utilizados pelo diretor Wes Craven e o roteirista Kevin Williamson, já valeria uma análise. Além disso, muitos litros de vermelho sangue sempre cai tão bem.

Nunca fui muito fã da franquia Pânico, obcecada por horror dos primórdios do cinema e educado assistindo terror anos 80, fui levada por restrições. Ademais, na década de 90 estava muito mais interessada em sedutores e sobrenaturais como “Drácula de Bram Stoker” (1992), “Entrevista com Vampiro” (1994), entre outros... Ainda bem que refletindo hoje, vejo que isso é bobagem, pois o primeiro Scream é bacana, tem muito valor e marca um estilo ultra copiado por outras porcarias que vieram na seqüência.

Uma marca dos filmes da série Pânico, desde o início, é a metalinguagem com que abordam os filmes de terror. E isso já é um grande passo para conquistar o público fã do gênero. Contudo, o modo como a metalinguagem é trabalhada no quarto filme da seqüência revela maestria dos cineastas em se auto-reinventarem e criticarem o lugar onde se encontram. Recheados de citações a scary movies, temos um quiz com muitos títulos, menção à “Suspiria” (1977) de Dario Argento, o clássico chuveiro que remeterá eternamente à “Psicose” (1960) e até mesmo um cartaz de “O Monstro da Lagoa Negra” (1954) em um dos quartos. Esses elementos tornam o filme bastante interessante e divertido, juntamente com as brincadeiras envolvendo toda a atmosfera dantesca dos assassinatos e do convívio natural de todos com estes. Brincando com a forma slasher adotada pelos filmes, com o culto de alguns pelo gênero e por derramamento de sangue, “Pânico 4” me levou ao reconhecimento e identificação, conseqüentemente a boas risadas. 

O mérito maior e a genialidade do filme ficam por conta de ele trazer todos estes recursos de metalinguagem e referências, em diálogo perfeito com o momento 2011 em que estamos inseridos. A profusão de celulares, recursos virtuais e sensação de ubiqüidade em que vivemos não podem ser ignorados quando estamos a falar de juventude. E se tudo isso também já foi citado pelos filmes de terror geração 2000 – vide a seqüência “Jogos Mortais” – “Pânico 4” traz isso de maneira sutil, natural e ainda caçoa dos torture porn

Dessa forma, é impossível não pensar no quanto um filme que nos diverte de forma absurda, pode refletir um momento tão sério e delicado que nos encontramos. Visto que, o massacre em uma escola no Rio de Janeiro, foi amplamente registrado e saturado pela mídia, com imagens de antes, durante e pós-tragédia. Não temos como fugir de que estamos a registrar um constante estado de ubiquação: vos escrevo de Montreal, não há limites para o alcance da internet, há uma webcam em minha frente, posso observar as câmeras de segurança de Porto Alegre em tempo real e etc. O que vem a acontecer diante das câmeras, só o tempo dirá e se tornará cíclico quando conseqüência do mundo estar permanentemente em rede e com outras conceitualizações de tempo e distância. 

******************************** ATENÇÃO: SPOILER! ********************************

Para encerrar, descrevo o final doentio que minha mente imaginou quando o filme chegava ao final. Provavelmente conseqüência da situação descrita no parágrafo acima, a conclusão que eu cheguei durante este momento do filme, se relacione com o fato de “Pânico 4” ter o desfecho mais consistente da franquia e por estar em total sintonia com a década, em que o sadismo no terror e a fama seriam a nova onda. Quando a garota Jill (Emma Roberts) se revela ao lado de seu parceiro Charlie Walker (Rory Culkin), achei que ia ser algo à la “Assassinos por Natureza” (1994): o casalzinho mata todo mundo, se matam e entram para história como assassinos terríveis. E fariam isso para entrar para a galeria de filmes inspirados em crimes reais, e não a menina mata todo mundo para ser a mocinha. Qual é a razão de ser tão doentia? A não ser por mais diversão e risadas que o filme propôs na seqüência final, pois é a mocinha Sidney que se torna nosso imortal Jason.


*Ana Carolina Acom é graduada em filosofia pela UFRGS e especialista em Moda, Criatividade e Inovação pelo SENAC–RS. Atua como pesquisadora e consultora de moda e semiótica das vestimentas, através de palestras, produções e desenvolvimento de figurino. Possui artigos publicados em todo país e atualmente reside em Montreal – Canadá, realizando pesquisas de tendências para marcas do Brasil, em que é responsável pela consultoria de moda e estilo. Além disso, integra o projeto “As Carolinas”, com atuações em diferentes setores da moda.

Fotos: Reprodução




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