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  A onda Doppelgänger

Carolina Citton Puccini *

O modamanifesto, além de ser nossa vitrine e portfolio, é principalmente nossa válvula de escape. É neste espaço virtual que nos damos o direito de criar, sem restrições, e extravasarmos nossos anseios e ideias. Os editoriais que produzimos para o site, ocorrem da mesma maneira: são temas pelos quais estamos obcecadas no momento. Depois de decidido o tema, passamos por um perídodo de incubação, onde estudamos o assunto escolhido à exaustão, para depois transpô-lo para fotos cuidadosamente pensadas, quase que como em um ritual de exorcismo.

Nosso processo para o novo editorial, Doppelgänger, ocorreu desta maneira. Já estávamos, mesmo que não conscientemente, rodeadas pelo tema. Mas a idéia de transformá-lo em imagens surgiu ao entramos em um estúdio para uma produção fotográfica, e confundirmos Karina Belloli com Ohana Homem (nossas duas modelos), momento no qual, prontamente exclamei: “mas elas são doppelgängers uma da outra!”

Apesar de ser algo muito antigo, o termo veio a mim, primeiramente, por uma referência completamente atual e pop: o seriado How I Met Your Mother. A trama conta a história de 5 amigos, entre eles, Ted, e toda a sua trajetória até conhecer a mulher que se tornará mãe de seus filhos. O primeiro doppelgänger avistado pelo grupo é a “Lesbian Robin”, versão tomboy da personagem. A partir daí, o próprio grupo institui uma brincadeira: encontrar o sósia de cada um deles, que serão descobertos ao longo das seis temporadas da série. Barney, o mais “abobado” da turma, por vezes dificulta a brincadeira, pois tem o costume de se fantasiar de outras pessoas, criando assim, falsos doppelgängers.

Mas enquanto o seriado explora a questão dos duplos de maneira divertida e debochada, o mais comum ao pesquisar esse tema, é descobrir que geralmente o doppelgänger é considerado um gêmeo do mal (como a Ana já bem explicou em seu texto). Posso entender o porque dessa associação devido a um episódio que aconteceu comigo há uns anos atrás. Era dia do meu aniversário, e ao embarcar no ônibus para ir ao trabalho, deparei-me com uma menina extremamente parecida comigo, vestida da mesma maneira que eu me vestia cinco anos antes daquele acontecimento. Me senti entrando em um túnel do tempo, podendo analisar uma versão de mim mesma que há muito eu já havia deixado para trás. Foi uma experiência assustadora e aterrorizante, principalmente devido à data em que ocorreu, mas que posteriormente me fez refletir sobre vários aspectos da minha personalidade.

Recentemente, o mundo está tomado por uma tendência doppelgänger. Em Sinédoque, Nova York, estréia na direção do roteirista Charlie Kaufman, Philip Seymour Hoffman é Caden Cotard, um diretor teatral, angustiado com os problemas que tem com as mulheres de sua vida. Ao receber um gordo prêmio em dinheiro, monta uma peça de proporções gigantescas, que contém uma réplica do tamanho natural da cidade de Nova York, baseada em suas experiências, um simulacro da vida real. Segundo Pablo Villaça: “uma espécie de performance da Vida, a montagem de Caden o transforma, na prática, num Deus de seu próprio universo, permitindo que ele explore a própria psique enquanto busca encontrar, através da experimentação constante, o grande Significado de Tudo. Esta viagem interna se torna tão intrincada que, em certo instante, acompanhamos um enterro que, minutos depois, é representado no espetáculo de Caden apenas para, mais adiante, ser revisto como uma montagem teatral da montagem teatral – e, neste momento, os atores que interpretam outros atores são ladeados por uma tela na qual mais pessoas são projetadas, completando um círculo enlouquecedor de inúmeras representações dramáticas numa ficção da ficção da ficção”. Ou seja, Caden cria seu próprio doppelgänger, bem como duplos das pessoas que conhece e fazem parte de seu círculo próprio, para posteriormente, criar os doppelgängers dos doppelgängers.

Temos o aclamado Cisne Negro, filme de Darren Aronofsky, onde Nina (Natalie Portman), uma bailarina, deseja o papel principal na nova montagem de Lago dos Cisnes. Nina é perfeita para o interpretar o cisne branco, enquanto Lily (Mila Kunis) é perfeita para o papel de cisne negro. Para que possa vencer a corrida pelo papel, Nina precisa encontrar seu lado mais obscuro. Nesta jornada, a personagem cai em uma espiral de alucinações e desenvolve vários sintomas piscóticos. Nina acredita que Lily é sua doppelgänger e está determinada a roubar seu lugar na produção e como nova estrela da companhia de balé. A trama se desenvolve dentro deste subsconsciente da bailarina, onde a própria não consegue mais distinguir o real do imaginário, para terminar de forma trágica.

Em The Vampire Diaries (ou como gosto de chamar carinhosamente: a "Malhação" dos vampiros), Elena Gilbert (Nina Dobrev), mocinha atormentada, se apaixona pelos irmãos Stefan (Paul Wesley) e Damon Salvatore (Ian Somerhalder), ambos vampiros, e logo se encontra presa em um triângulo amoroso. No decorrer da história, ela descobre sua semelhança com Katherine Pierce/Katerina Petrova, amor do passado dos irmãos Salvatore. É revelado que Elena é doppelgänger de Katherine, de quem é parente distante, e seguidamente os personagens da série se referem à Elena como “The Petrova Doppelgänger”. Na aparência, elas apenas se diferenciam pelo cabelo - Elena tem cabelo liso, enquanto o de Katherine é cacheado.

Ainda não lançado no Brasil, no filme The Roomate, Sara (Minka Kelly), uma estudante que acaba de chegar à Universidade, descobre que precisa dividir o quarto com Rebecca (Leighton Meester). Sara só não imagina que sua colega de quarto se tornará obcecada, a ponto de querer tornar-se igual a ela, e pode acabar colocando sua vida em risco.

Já na vertente mais descontraída do tema, além de How I Met Yout Mother, há o site “Totally Looks Like - Funny Look-Alikes and Doppelgängers”, que faz comparações inusitadas entre celebridades, objetos, brinquedos e desenhos animados. Apesar das sátiras, é possível perceber que há celebridades que são de fato parecidas umas com as outras, assim como às vezes encontramos pessoas parecidas no nosso dia-a-dia.



Apesar de existir uma teoria maluca de que para cada pessoa, existem, 6 cópias idênticas espalhadas pelo mundo, a genética explica que é muito improvável que as pessoas que se parecem fisicamente possuam DNA parecido. Existem os genótipos e os fenótipos. Características genotípicas são as contidas no seu código de DNA, enquanto que características fenotípicas são as que determinam a sua aparência. Animais, por exemplo, podem ter fenótipos parecidos, mas genótipos diferentes. Tudo depende dos códons em seu DNA e onde os genes são colocados nos cromossomos. Muitos genes diferentes podem codificar para o mesmo fenótipo, ou genes diferentes podem mascarar um determinado fenótipo de um gene. Gêmeos idênticos, também, nem sempre têm o mesmo código genético.

E foi assim, munidas de inúmeras referências e com nossa visão clínica apurada para o duplo, que percebemos a semelhança entre muitos amigos nossos, mas principalmente entre Joana Bosak e Helena Soares. Ao conversarmos sobre o assunto, descobrimos que Helena tinha essa adorável mania de ficar comparando a aparência física das pessoas (tanto celebridades como amigos). Sendo ela então, não só uma perita na identificação desses gêmeos perdidos, mas uma doppelgänger propriamente dita, prontamente a convidamos para escrever uma colaboração para nosso projeto, que pode ser lida aqui.

E você, já encontrou seu doppelgänger?

*Carolina Citton Puccini Especialista em Moda, Criatividade e Inovação, pela Faculdade de Tecnologia do SENAC-RS e Bacharel em Publicidade e Propaganda pela PUCRS. Atua como produtora de moda e figurinista, com trabalhos em diversas revistas, televisão, cinema e teatro. É responsável pela produção dos editoriais e atualizações do site. Integra o projeto “As Carolinas”. Também trabalha com consultoria de estilo, design de estamparia, gráfico e editorial.

Fotos: Reprodução




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