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  Um Dia Muito Agitado - Fantasia Festival, Pinkarnaval com Jean Paul Gaultier e uma Mega-Liquidação

Ana Carolina Acom *

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Meu sábado do dia 16 de julho de 2011 foi tão agitado e repleto de informações que decidi escrever para poder contar tudo. Na verdade foi um fim de semana inteiro de agito.

Aqui em Montreal as mega-liquidações acontecem por bairros, mais ou menos de maio a agosto (dizem que às vezes vai até outubro), cada bairro fecha as ruas, em datas diferentes e colocam as araras para fora com descontos inacreditáveis de até 70% ou mais. Essas são as chamadas “Vente Trottoir”, as vendas na calçada. É tanta oferta que deixa qualquer consumidor enlouquecido, imagine só os consumistas. Além de vender todo tipo de artigo das lojas, temos deliciosos lanches baratos e algumas atividades como shows e recreação para crianças.

Eu já havia conferido algumas dessas “vendas”, inclusive me diverti muito quando aconteceram uma semana inteira no meu bairro Hochelaga-Maisonneuve no início de junho. E na Rua St. Hubert a Rua das Noivas, comprei um bolsão Samsonite por felizes $10,00 CAD. Mas quando minha amiga avisou que a maior liquidação ocorreria no centro, na rua principal Sainte Catherine Ouest, comecei a me preparar psicologicamente. Foi mesmo incrível, a rua tem várias marcas famosas e pechinchas de arrasar, comprei uma saia, anéis de Dubai e uma bolsa BCBG. Não sou de sair comprando tudo porque é baratinho, estudo o que é mesmo imperdível e preciso amar o objeto de consumo.

Entre os eventos, havia uma belíssima exposição de carros antigos, onde me apaixonei por um modelo Ford com baú atrás, que parecia o carro do “Grande Gatsby”. No final da tarde teve o desfile “Pinkarnaval” homenageando o estilista Jean Paul Gaultier que está com exposição na cidade (confira aqui a matéria sobre a exposição). Foi neste “desfile” que me aproximei do designer, tirando fotos, filmando e fazendo parte do percurso ao seu lado. A experiência foi única, ainda mais depois de conferir sua exposição que torna qualquer um íntimo de seu imaginário.

O “Pinkarnaval” tem como proposta trazer uma nova definição de PopArt, um encontro anual da população com os artistas de Montreal. E a impressão que temos ao ver o desfile é justamente esta, um encontro bastante popular com pessoas comuns do povo Montréalais e a concepção criativa e a organização da classe artística da cidade. A parada de temática fashion bem humorada foi composta por 1600 pessoas, que ensaiaram com os artistas e coreógrafos nos últimos meses.

Assim como a exibição do Museu de Belas Artes de Montreal, o desfile também apresentou diferentes eras e estilos do trabalho de Gaultier. Ao todo foram oito cenas separadas, com diferentes danças, trajes, figurinos insanos, elaboradas maquiagens e obras de arte. Jean Paul Gaultier liderou a procissão, e tal qual o Rei Momo puxou o desfile sempre sorrindo très sympathique. O designer vestiu a camisa listrada de marinheiro e chapéu do evento, introduzindo o desfile das listras que vinha atrás dele.

Para completar, era o primeiro fim de semana do “Fantasia International Film Festival”, o maior festival de cinema fantástico-horror e outros filmes fora de circuito da América do Norte, e dizem que é um dos mais longos do mundo (dura 25 dias). E eu também estava lá para fazer toda a cobertura para o modamanifesto, parece que somos o único veículo brasileiro presente no evento. O Festival está na sua 15ª edição e tem uma programação que faz uma bela mescla de cultura pop e alternativa. Além dos filmes, premières mundiais e convidados especiais, há uma série de conferências bacanas para assistir. Fantasia pretende tornar-se o equivalente norte-americano do Festival de Cinema Fantástico de Sitges, na Espanha, o maior festival do gênero na Europa há 40 anos.

Entre os filmes apresentados no Fantasia, há muitas obras orientais, as quais definitivamente não são minha preferência. Minha prioridade além de conferir os lançamentos-promessas e os que me interessam no geral, como aqueles da série “Visions du vampirisme”, é assistir alguns clássicos. Como foi o caso do filme “The Wicker Man (O Homem De Palha)” de 1973, neste mesmo sábado já descrito acima, assisti ao filme ao lado do diretor do mesmo, Robin Hardy. No auge de seus 82 anos, estava lá o “homem” que dirigiu Christopher Lee e Ingrid Pitt nesta obra clássica do horror. Hardy comentou o filme antes da exibição e disse que tentou fazer um filme de humor negro, embora saiba que ficou mais para negro. Não é ótimo?

Depois do cinema, fui jantar com alguns amigos e ainda por cima encontrei o verdadeiro Homem de Palha no jardim de uma casa. Muito assustador (confira as fotos clicando na galeria).

Robin Hardy também lançou no Festival seu novo filme “The Wicker Tree”, uma “espécie” de continuação do “The Wicker Man”, 38 anos depois (mas isso já é assunto para outro artigo).

Finalizando o fim de semana de encontros com personalidades, encontrei no domingo Jovanka Vuckovic, ex-editora chefe da revista de horror Rue Morgue e atual cineasta. Conheci Jovanka ano passado através dos documentários “Zombiemania (2008)” e “Pretty Bloody: The Women of Horror (2009)” exibidos no Fantaspoa. Desde então passei a acompanhar o seu trabalho e quando vim para o Canadá pensei em ir até Toronto para conhecer a redação da revista Rue Morgue de perto.

Jovanka fez parte da Conferência: “Bloody Breasts presents: Women in Horror” – discussão interativa com mulheres cineastas de horror. Bloody Breasts é uma série de documentários on-line (site: www.bloodybreasts-documentary.tk/) realizado por Maude Michaud, e visa proporcionar um perfil de mulheres que trabalham em filmes de horror por trás das câmeras. Criado em fevereiro de 2010, para o mês de reconhecimento das mulheres no horror, o site têm ajudado centenas de cineastas a mostrar seu trabalho ao redor do mundo. A discussão da mesa, formada por quatro diretoras de filmes de horror, comentou que o foco de fãs e jornalistas ainda é quase inteiramente em atrizes e as diretoras ainda são largamente ignoradas ou postas de lado. Além disso, elas falaram das dificuldades “clássicas” de buscar recursos e financiamento e do preconceito com o próprio gênero horror. Entre elas estavam: Izabel Grondin de “Fantasme (2009)”, Elza Kephart de “Graveyard Alive: A Zombie Nurse in Love (2003)”, Kier-La Janisse autora de “House of Psychotic Women” e co-fundadora do Blue Sunshine Psychotronic Film Centre, e a já citada; Jovanka Vuckovic, que está finalizando seu curta “The Captured Bird”, o qual escreveu e dirigiu, e tem como produtor seu amigo Guillermo del Toro. O curta, repleto de efeitos visuais, foi inspirado por um pesadelo de infância, H.P. Lovecraft e por “The Shadow People”; a mediação da mesa ficou por conta de Maude Michaud.

*Ana Carolina Acom é graduada em filosofia pela UFRGS e especialista em Moda, Criatividade e Inovação pelo SENAC–RS. Atua como pesquisadora e consultora de moda e semiótica das vestimentas, através de palestras, produções e desenvolvimento de figurino. Possui artigos publicados em todo país e atualmente reside em Montreal – Canadá, realizando pesquisas de tendências para marcas do Brasil, em que é responsável pela consultoria de moda e estilo. Além disso, integra o projeto “As Carolinas”, com atuações em diferentes setores da moda.

Fotos: Ana Carolina Acom e Reprodução




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