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  Não "falta Allure" em Diana Vreeland – Pense Moda 2011

Luísa Alves*

Imagine uma criança convivendo com a comparação à beleza de sua irmã desde criança, e com uma mãe que lhe deu o apelido, nada carinhoso, de "meu pequeno monstro". Assim cresceu a ícone da moda internacional - Diana Vreeland. Procurando no conhecimento, uma forma de se tornar tão interessante quanto à irmã, entendia a moda em sua forma e conteúdo.

Na mesa do último dia do Pense Moda em São Paulo, Gloria Kalil, que dispensa apresentações, e Charles Cosac, editor da Cosac Naify, falaram da recém lançada tradução de "Glamour", uma inspirada seleção das imagens favoritas de Diana, com fotos de: Man Ray, Elliott Erwitt e Sir Cecil Beaton. Conforme Glória define, estamos falando de "uma seleção de estilo" no álbum, já que “estilo nada mais é do que escolha”.

Foi depois dessa conclusão da consultora de moda, que o assunto "excentricidade", principal característica de Diana, veio à tona. "Excentricidade é um pensamento autônomo. Muitas pessoas precisaram ser excêntricas para mostrar a verdade. É quase um autismo.", disse o editor da Cosac. Se existe alguma dúvida sobre o quanto essa mulher tinha gostos e vontades extremamente distintas do senso comum, saiba que na época em que foi editora da Harper's Bazaar, ela tinha a coluna "Why Don't You?" a qual sugeria ideias fora do comum como "Por você não... lava os cabelos dos seus filhos com o champanhe que sobrou da noite passada...". Apaixonada por vermelho, tinha na sua casa praticamente tudo nessa cor, manipulava as fotografias realizando colagens para as publicações, praticamente o primeiro photoshop visto.

Gloria Kalil em seguida, sugeriu uma reflexão sobre quais imagens nos deixariam muito encantados a ponto de fazer com que as pessoas as olhassem e nos reconhecessem através delas? "É esse o resultado no livro Glamour"! Ela conclui que "Diana não era narcisista, doença da nossa época.", Diana desconstruía a chamada elegância que todos já tinham como conceito.

Foram pessoas como Diana, com esse pioneirismo, "que fizeram a gente ter a oportunidade de se vestir conforme nossa personalidade, afinal, até os anos 50 a moda era totalmente ditatorial" (Glória Kalil). Além disso, foi ela a primeira a aproximar moda e arte, depois que saiu da Vogue, foi trabalhar como diretora artística de Moda do Metropolitan Museum. E a própria revista Vogue, tempos depois, contratou Anna Wintour com uma preocupação bem maior com a questão comercual.

Para concluir é interessante lembrar que o nome do livro se chama "Allure" - olhar em francês - porque era seu bordão, dizia: “-Falta Allure!" quando as coisas não estavam como queria. Allure, que é mais que “olhar”, tradução literal, é bem diferente da tradução “Glamour”, segundo Glória. Ela define "glamour" como "algo que fica da pessoa depois que ela sai, uma purpurina a mais. É o que Gisele Bundchen tem." Mas se esse é o real significado da palavra “glamour”, ficamos até hoje com a luz que ficou de Diana.


*Luísa Alves é Relações Públicas. Sempre ligada ao mundo digital, vive em busca de ideias criativas em moda e marketing. Há anos na área de Internet, trabalhou com conteúdo audiovisual em web para a RBS, atuou como social media/planejamento na W3haus e como freelancer em mídias sociais. Desde 2011 está na Recheio Digital, em São Paulo, onde é gerente de conteúdo. Atualmente pesquisa intensamente sobre figurino, marketing e a classe C.

Fotos: Luísa Alves e reprodução




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