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  New York – Inverno 2012 – 2013

Ana Carolina Acom *

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Após algumas reflexões, análises e crises nos conceitos de moda, consegui escrever sobre meus eleitos nas principais temporadas da moda pelo mundo. Ronaldo Fraga proclamou em sua carta de “despedida”, que: “A moda acabou? Pelo menos da forma como a conhecíamos, acredito que sim” e depois, recentemente, Vivienne Westwood se manifestou sobre a moda viver seu pior momento. Acredito que estes episódios somados a alguns conflitos internos e pessoais, influenciaram em muito minhas escolhas das coleções mais interessantes.

Vamos aos meus preferidos de NY, que parecem se destacar bem mais por uma certa “estranheza” em seus designs e estilo do que possuir aquela beleza e glamour tão desde sempre associados à moda.

Marc Jacobs – Assim que Jacobs desfilou, no Twitter já o aclamavam: “gênio”. Dessa forma, fui conferir sua coleção com um olhar curioso do que poderia significar sua genialidade naquele momento. Gostei muito da apresentação, que logo me remeteu ao conceito de “estranhamento” já citado acima. A coleção traz volumes curiosos, sobretudo nos quadris e nos chapelões que mais parecem castelos desabando. Tudo é quase lúdico e misturo algo de século XIX à nossa “pós-über e estranha modernidade”.

Libertine – A próxima estranha de minha lista traz algumas sobreposições que agradam aos olhos. Xadrezes e composições invernais misturam estampas que funcionam para o frio, mas as peças individuais não dizem nada de novo.

Rodarte – A dupla Kate e Laura Mulleavy são verdadeiras artistas, mas estão sempre no dilema entre o conceito e o comercial. Nesta coleção, elas buscaram o comercial com o cuidado de não perder identidade. Exploraram então, alfaiataria, vestidos lindos com babados e trouxeram elementos de arte nas estampas originalíssimas que compõem os tecidos leves.

Ralph Lauren – A Belle Époque esteve presente neste desfile. Mas, o interessante foram as moças vestindo os ternos dos rapazes. Chapéu coco e todo acessório masculino foi belamente adaptado para os looks femininos. Destaque para o terno de veludo cor de vinho, totalmente impressionante.

Dos mais coloridos, trago Anna Sui – muita lã, meias divertidas e cores. Adorei as toucas e luvas cabeças de corujas.

Em seguida, cito St. John, com um belíssimo desfile inspirado na musa de Yves Saint Laurent e ícone de elegância de qualquer tempo Loulou de La Falaise. Nas roupas predominava o preto e algumas onças, mas o tom de vermelho sangue composto junto aos looks deu um toque espetacular às criações da marca.

Entre o mais sóbrios, destaco Kimberly Ovitz e Helmut Lang, algum couro e muitos tons escuros fizeram parte destas coleções. A Kimberly despertou a atenção para os vestidos assimétricos em modelagens novas e interessante mistura de tecidos. Já Helmut, além das lindas e diferentes texturas de couro, trouxe uma estamparia maravilhosa e alguns tecidos-redes que formavam uma transparência nada vulgar e sedutora.

Encerro com o genial Yohji Yamamoto para Y-3 – como um sujeito consegue criar artefatos tão esportivos e desejáveis ao mesmo tempo como ele? As propostas são lindas demais e até patchworks simples se tornam adoráveis na mão deste japonês.

*Ana Carolina Acom é graduada em filosofia pela UFRGS e especialista em Moda, Criatividade e Inovação pelo SENAC-RS. Atua como pesquisadora e consultora de moda e semiótica das vestimentas, através de cursos, produções e desenvolvimento de figurino. Possui artigos publicados em todo país e integra o projeto “As Carolinas”, com atuações em diferentes setores da moda.






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